12 de Agosto de 2022



PROREMAR



Um projeto com o objetivo promover o consumo de recursos alimentares marinhos de elevado valor nutricional, mas sem valor comercial, através do desenvolvimento de produtos inovadores e com valor acrescentado.




F omos conhecer melhor este projeto e estivemos à conversa com Maria Manuel Gil e Filipa Pinto professora membros do projeto Proremar.


Start & Go - Como surgiu a ideia do PROREMAR?

Maria Manuel Gil - A ideia surge da necessidade! Necessidade de diminuir o desperdício alimentar e de aumentar a gama de alimentos que podemos ter disponíveis. Esta temática assenta no paradigma de uma alimentação sustentável onde pretendemos promover a comercialização de alguns peixes e introduzir algas na alimentação. Existem muitas espécies que não são alvo da pesca. A rejeição de muitas destas espécies traduz-se na perda de valor que poderia interessar quer à administração (promovendo a exploração racional de outros recursos potencialmente menos explorados), quer aos pescadores (que veriam aumentar e rentabilizar o rendimento da pesca). Para muitas destas espécies há já uma preocupação por parte do Conselho Internacional para a Exploração do Mar para o seu estudo em termos de recurso.

Com esta estratégia conseguimos ajudar pescadores (diminuindo o desperdício das pescas), e consequentemente a economia local, revitalizar o mercado alimentar do pescado (pela introdução de novos produtos alimentares), equilibrar ecossistemas (ao incentivar o consumo de peixes menos explorados, o que levará a uma captura mais equilibrada de espécies, bem como a introdução de algas como novo alimento) e por fim oferecer ao consumidor novos produtos nutricionalmente ricos.







"A ideia surge da necessidade! Necessidade de diminuir o desperdício alimentar e de aumentar a gama de alimentos que podemos ter disponíveis."


S&G - Qual a proposta de valor dos produtos que estão a desenvolver?

Filipa Pinto -  Para atingir os objetivos acima descritos, ou seja, para a valorização de recursos marinhos endógenos (as algas marinhas e o pescado, principalmente de baixo e/ou sem valor comercial), desenvolveram-se três produtos alimentares inovadores. Por um lado, são o formato de produtos já conhecidos, por outro têm formulações distintas. Essas formulações tornam os produtos não só apetecíveis, mas também nutricionalmente ricos destacando-os dos demais existentes no mercado, prevendo preços de mercado semelhantes.

S&G - Quem são os potenciais clientes dos vossos produtos? Já existem empresas parceiras para a sua produção e comercialização?

MMG - Não consideramos que os produtos desenvolvidos tenham um publico alvo. São produtos que tentam associar a sua imagem tradicional a uma nova imagem moderna e dinâmica, ligada à promoção de uma alimentação sustentável, saudável e equilibrada. Produtos como uma salsicha, fiambre ou hambúrguer vegan podem e são consumidos pela população em geral, contudo futuros produtores podem pela imagem de marketing facilmente adaptar a diferentes grupos de consumidores.






S&G - Este é um projeto que nasceu na academia. Para quando o lançamento dos produtos no mercado?

FP- O processo de lançamento de produtos no mercado quando o seu desenvolvimento não é associado a priori a uma empresa, é mais difícil. Contudo estamos a reunir todos os esforços (realização de Showcooking, entrevistas, participação em eventos técnico científicos, publicação sites e redes sociais) para a disseminação dos resultados do projeto de modo a que o interesse possa surgir.

S&G - Como encaram esta articulação entre o meio académico e o meio empresarial?




MMG - O MARE-Politécnico de Leiria tem um forte compromisso com a inovação, potenciando a partilha e valorização de conhecimento com as empresas, refletido nas mais de 80 parcerias com empresas (nacionais e internacionais), maximizando o impacto regional e nacional da investigação.

Conscientes da crescente importância dos recursos marinhos e de uma economia realmente azul, estamos certos que esta missão se concretiza através de redes colaborativas, desenvolvidas a nível nacional e internacional, com foco na investigação científica, na educação, na valorização e partilha de conhecimento e de tecnologia, e na divulgação de Ciência.

Acreditamos que as atividades 

desenvolvidas irão certamente abrir novas oportunidades de mercado para as indústrias portuguesas, trazendo benefícios duplos de agregar valor para a sociedade, nomeadamente através da criação de emprego.

S&G - O que seria importante fazer para fomentar ainda mais esta articulação?

FP - As colaborações entre o meio académico e o meio empresarial, frequentemente apoiadas por fundos públicos, são consideradas críticas para melhorar os sistemas regionais e nacionais de inovação e impulsionar o desenvolvimento económico. As  empresas recorrem cada vez mais  a fontes externas para adquirir os conhecimentos tecnológicos de que





 necessitam para introduzir inovações de produtos e processos. As redes são claramente um mecanismo através do qual as organizações partilham conhecimentos e geram inovações de forma eficaz e eficiente.

Não obstante todo o investimento efetuado nos últimos tempos, é clara a necessidade de continuar a reforçar e capacitar o Sistema de Investigação e Inovação, e, de forma particular, fomentar a sua articulação com a indústria, por forma a assegurar uma eficaz transferência de tecnologia e a valorização económica e social do conhecimento. Portugal precisa de investigação e inovação no mar, de fomentar e reforçar a cooperação e a partilha de meios e conhecimento.

S&G - Que oportunidades de investigação e negócio oferece, na vossa opinião, o mar?

MMG - O mar é um livro aberto com muitas folhas para desfolhar. Isto porque tem inúmeros recursos que podem ser utilizados direta ou indiretamente na investigação que por sua vez deve desbravar caminho para encontrar soluções para mundo empresarial.

S&G - As empresas estão abertas a financiar investigação orientada ao desenvolvimento de produtos inovadores com origem no mar?









FP -Sim, temos tido várias propostas de cooperação com empresas e isto deve-se não apenas à necessidade crescente de ter produtos 



inovadores no mercado, mas também à consciência de que os recursos marinhos nos podem trazer diferentes benefícios nutricionais.


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