12 de Agosto de 2022





ANTÓNIO NOGUEIRA DA COSTA

CEO da efconsulting |  docente e membro do N2i do IPMaia


Novas gerações, novas vivências e atraem novas ou antigas profissões?


A continuidade da raça humana está suportada na gestação e nascimento de novos seres que, tipicamente, viverão num contexto familiar e protetor até alcançarem uma determinada capacidade de sobrevivência e desenvolvimento autónomo.


A família assume-se de forma natural como a envolvente mais próxima e impactante no desenvolvimento da pessoa, complementada pela significativa, crescente e contínua influência do mundo externo - a socialização começa muito cedo e é cada vez mais envolvente (creche, infantário, ensino obrigatório, profissional, superior, …).É, pois, muito natural que estas células sociais influenciem e até condicionem a personalidade e o desenvolvimento de cada um dos seus membros, em especial os mais novos. Um/a jovem que nasça no seio de uma família que possui um negócio – seja ele micro ou de grande dimensão – rapidamente vai sentir e experienciar uma variedade de situações que impactarão de forma significativa o seu futuro formativo e profissional, em especial quanto ao sentimento de atratividade ou de repulsa pelas atividades em que se viu imerso.

Na linguagem atual de negócios, pode-se dizer que estes/as jovens podem possuir vantagens comparativas – “filhos do ferreiro não têm medo de fagulhas” - relativamente a outros que não vivenciam tais imersões.

O 1º quartil deste século proporciona um conjunto de condições

ímpares - de acesso a formação, experiências, diversidade de oferta, novas e inimagináveis profissões, mobilidade, … - que confronta as novas gerações, para além das suas legítimas vontades e em especial as nascidas no seio de famílias empresárias®, com uma ambivalência:

• Dedico-me ao desenvolvimento pessoal numa perspetiva de integração imediata nos negócios da família?

• Envolvo-me em novos contextos que me proporcionarão o envolvimento em distintas atividades ou negócios dos atuais da família?

Um/a jovem que nasça no seio de uma família que possui um negócio rapidamente vai sentir e experienciar uma variedade de situações que impactarão de forma significativa o seu futuro

Qualquer uma das opções é legitimamente válida, potenciadora de 

favorável à família empresária® e seu patrimúltiplas vantagens, desvantagens e mónio empresarial:

• Quem decide integrar “desde sempre” o negócio familiar, ganha em rápido conhecimento interno, mas corre o risco de não percecionar ou ganhar competências que as realidades externas proporcionam;

• Quem decide partir para o “desconhecido” vai criar e gerar competências de desenvolvimento individual e coletivo noutras entidades, mas que no futuro poderão acrescentar valor à empresa familiar.

Neste contexto, acredito que proporcionar às novas gerações vias que facilitem a aquisição de uma maior amplitude de alternativas formativas e de experiências profissionais ou empresariais, será um enorme desafio – em especial para as empresas familiares - mas também a melhor opção para se ter pessoas implicadas, felizes e geradores de um mundo melhor.



Se filho de peixe sabe nadar, filho de pescador …

O dia do pescador dinamizado pela Câmara Municipal de Sesimbra, 31 de maio de 2021, e a revista notícias magazine de 10 de junho de 2022, apresentam diversas histórias ligadas ao negócio da pesca, que ilustram a ideia expressa no texto principal.

Miguel Vicente, 21 anos, estudou para pastelaria e cozinha, como tinha ligação familiar ao mar, aproveitou a falta de trabalho e a instabilidade do setor turístico, fortemente impactado pelo covid-19, para experimentar a pesca. Ficou surpreendido, pela positiva. “O meu pai passava-me uma ideia de que era pior do que realmente é. Ainda se pensa que é como antigamente, que as pessoas são brutas, carrancudas e que não ajudam.” No entanto o Miguel só identifica vantagens na profissão. “Podes trabalhar mais um bocado, mas és bem recompensado monetariamente. E não é uma vida assim tão dura como toda a gente pensa.”

Não é apenas a pesca que tem algo a oferecer, também os jovens trazem algo para a profissão. Para Miguel, a maior vantagem é a inovação. Para provar o seu ponto de vista, recorda uma história do pai. “Os antigos não gostavam muito de pescar no fundo, diziam que lá não se apanhava nada, e houve uma vez que o meu pai experimentou e o meu avô chamou-lhe maluco.” Nesse mesmo dia, provou que uma nova cabeça traz também novas ideias e o pai de Miguel chegou à doca com um lance “que deixou todos de boca aberta”. Agora é a vez do Miguel acrescentar valor ao negócio do pai integrando as novas tecnologias que facilitam a profissão.


Foto: Carlos Pimentel/Global Imagens, in Noticias Magazine

https://www.facebook.com/watch/?v=942206066592359 


Foto: Carlos Pimentel/Global Imagens in Noticias Magazine

António Salter apontas as primeiras memórias da pesca aos nove anos. Foi muitas vezes ao mar com o avô e pescar lulas com o pai. Os vómitos e enjoos não o demoveram de aos 20 anos se dedicar à pesca.  Mas nem a má experiência inicial o fez duvidar. Atualmente trabalha na embarcação “João Alexandre”, juntamente com um tio.





Fontes: Citações do artigo “Esta pesca já não é para velhos”, notícias magazine, 2022/06/10.


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