16 de Agosto de 2022





RUI PEDRO OLIVEIRA

CEO, IMAGINEW





A ameaça não se acomoda, enfrenta-se.











Numa pequena pesquisa por alguns websites de universidades portuguesas fui observar os métodos e planos dos cursos clássicos implementados hoje em dia. Nomeadamente Gestão e Economia, Engenharias e Direito.




F

iquei sem perceber se as cadeiras de Cálculo Integral e Diferencial ainda são dominadas pelos Tomos I e II de Nikolai Piskunov e se os livros da editora Mc Graw Hill ainda são as referências para Micro e Macroeconomia, porém naturalmente que qualquer um destes cursos tem as suas bases alicerçadas nas componentes matemáticas, até um pouco o Direito em que não pode imperar só o bom senso de um advogado e a aplicação das leis mas um raciocínio rápido e eficaz também torna a decisão mais inteligente e diligente. Tal como na Medicina e na Arquitetura.

Um coisa que evidenciei é que o plano de estudos mantêm-se aparente o mesmo desde há algumas dezenas de anos atrás. As cadeiras são as iguais, tirando alguns cursos de gestão evidenciarem uma cadeira de empreendedorismo que até há “relativamente” pouco tempo imagino ter sido inexistente.

Das duas uma, ou as universidades hoje em dia ao invés do que se vê na maioria dos planos curriculares no estrangeiro apostam que as licenciaturas e mestrados têm que ser as bases de cada área





"

Fintech, Esquemas Ponzi, Metaverse, Roblox, NFT´s, Tokens, Chrypto, Blockchain, Avatars Store, Metadados, Data Science, Internet das coisas ou Machine Learning entre outros, são vocabulários que ...não podem estar fora da sua dialética e domínio de conhecimento.





(o que com certeza sendo decidido pelos seus Conselhos Científicos será o mais acertado) ou como diz o ditado, “Quanto menos souber como são feitas as salsichas e as leis, melhor você vai dormir” e os alunos mal saem das mesmas para irem para o mercado ou apostam em melhorar a sua carreira académica recorrendo a cursos e formações específicas em pós-graduações, programas avançados, MBA’s entre outros ou então têm que frequentemente fazer uma auto aprendizagem. Como? Lendo, pesquisando, estudando arduamente e continuamente. Há tudo na internet com conteúdos gratuitos e portanto só não se mantem informado e atualizado quem não quer. Por isso, muitos gestores de PME’s empresas olham primeiro por vezes para as “soft skills” dos pretendentes a uma candidatura de emprego do que propriamente para o seu CV pois por vezes uns estagnam, outros preferem continuamente alargarem os seus conhecimentos e a sua sapiência.

Fintech, Esquemas Ponzi, Metaverse, Roblox, NFT´s, Tokens, Chrypto, Blockchain, Avatars Store, Metadados, Data Science, Internet das coisas ou Machine Learning entre outros, são vocabulários que alguém  

que entre no mercado de trabalho após conclusão dos estudos, hoje em dia, não podem estar fora da sua dialética e domínio de conhecimento. Seja em qualquer das áreas de estudo acima descritas.

Um carro autónomo sem condutor no interior da empresa Called Cruise em São Francisco, quando um agente se aproximou do mesmo após uma operação stop por não ter os faróis ligados, o carro arrancou e fugiu sozinho.

O Roblox tem uma cidade Gucci pago inclusive por criptomoedas se necessário. Há um mês sensivelmente uma jovem adolescente a jogar Roblox foi “roubar” o cartão de crédito da mãe para comprar umas sapatilhas (ténis para os nossos leitores mais a sul) da mesma marca para o seu avatar só para o poder “mostrar” às suas amigas. Os ténis no Metaverse (simplifiquemos assim) custaram apenas 4.500 dólares...

Aliás há muito pouco tempo o FC Porto acabou de lançar a cidade no Metaverse, criando o Estádio do Dragão, a cidade e o aeroporto em que as pessoas através dos NFT’s entram nessa realidade (virtu)real 3D. Foi o primeiro clube a faze-lo na Europa catapultando a marca do clube e da cidade para níveis inimagináveis.

Reparem como o Direito, a Engenharia, a Gestão, o Marketing, as entidades Governamentais, o Desporto entre muitos outros se revêm nestes três pequenos exemplos.

Muito mais haveria para se escrever sobre estes temas e se será nos bancos das universidades que os cursos têm que permanentemente adaptar-se às novas realidades (o que será impossível devido ao logarítmica e exponencial crescimento da tecnologia em meses) ou se serão as pessoas que por si só querendo serem líderes nas suas áreas que terão que praticamente diariamente estarem muito atentas aos sinais e modificações que a tecnologia nos proporciona e por isso não olhem como uma ameaça a evolução tecnológica mas sim uma ameaça à progressão profissional de quem não encarna a divisa de que a ameaça não se acomoda, enfrenta-se.


Darwin mostrou que as espécies que sobrevivem são as que melhor se adaptam à mudança do ambiente. Como iria agora ser diferente?





Subscreva esta mailing list para receber a revista em formato digital gratuitamente...