21 de Agosto de 2022



Prémios de referenciação são estratégia de eleição para atração e retenção de talento em Portugal



A edição do Barómetro RH 2021/22 denota uma nova era na gestão de recursos humanos.


A

imprevisibilidade do mercado parece não ter tido im­pacto ao nível do grau de motivação dos colaboradores das empresas inqui­ridas que permanece com 14 pontos (escala 0-20), à semelhança do que observamos na última edição. Além disso, 40% dos inquiridos afirma que a motivação dos trabalhadores das suas empresas evoluiu positivamente nos últimos 12 meses. Para contribuir para estes resultados, 31% dos gestores de RH destacam os aumentos salariais e a 

atribuição de bónus e outras com­pensações monetárias.

Por outro lado, 26% dos gestores apontam como fatores mais cruciais, a cultura da empresa e a adoção de um modelo de trabalho híbrido com a respetiva flexi­bilidade horária conferida aos colabo­radores.

A intensificação da escassez de ta­lento parece ser um dos maiores desa­fi­os do mercado de trabalho para os ges­tores de RH já que, para 45% e 42% dos inquiridos, a retenção de ta­lento e a contratação de novos profissi­o­nais são as principais prioridades das em­pre­sas em relação aos recursos humanos.  

Estas escolhas contrastam com o que se observou na 1º edição deste baró­me­tro, onde o topo das prioridades tinha como foco a preparação dos colabo­radores para diferentes cenários no médio/longo prazo e a melhoria das condições de segurança e higiene no trabalho.

Para fazer frente a esta escassez de talento, os empregadores apostam cada vez mais em estratégias de atração e retenção de talento e, de acordo com dados deste barómetro, os prémios de referenciação são uma das estratégias de eleição – não são uma prática nova no mercado de trabalho, mas voltaram 


agora a ganhar especial destaque nas estratégias dos RH. Estes prémios tratam-se de um bónus de referenciação que as empresas atribuem aos colaboradores que referenciarem os candidatos certos para determinada função. Isto acontece muito em áreas ou perfis que são mais difíceis de recrutar, seja pela complexidade da função, seja pela falta de mão de obra disponível ou pela forte competitividade do mercado em questão (ex: IT, consultoria, digital, Shared Service Center, Contact Centers, etc.). Atualmente, a complexidade e competitividade do mercado de trabalho tem exigido às empresas um maior investimento de recursos nos processos de recrutamento. Além disso, o que nós, Hays, enquanto especialista no setor, temos notado, é que temos cada vez mais procura por parte das empresas. Ou seja, há cada vez mais empresas a externalizar os seus difícil abordar os candidatos certos. Temos cada vez mais empresas a precisar de recrutar, no entanto, os candidatos disponíveis para novos desafios são inferiores a esta necessidade. Acrescendo o facto de termos um mercado cada vez mais liderado pelo candidato, onde chegar ao perfil ideal é difícil.” explica Sandrine Veríssimo, Regional Director da Hays Portugal.

Novas prioridades: atrair, reter e cultivar talento

Para atrair, reter e desenvolver os melhores talentos para os seus negócios, um eficaz processo de onboarding é fundamental. Neste campo, as duas principais prioridades enaltecidas pelas empresas incidem na criação de um programa de mentoria envolvendo colaboradores mais recentes e mais antigos da empresa (57%) e a criação de um programa personalizado (45%). Ainda antes disso, e no âmbito do processo de recrutamento, suprimir as lacunas nas competências da organização através da identificação de novas funções e posições e o rejuvenescimento das empresas, são para 55% e 45% dos inquiridos respetivamente, as duas maiores prioridades. Dentro das temáticas de diversidade, inclusão e equidade no trabalho, 49% dos inquiridos tem apostado na criação de um ambiente inclusivo em que cada 

colaborador se sente valorizado e 46% tem vindo a promover programas de tutoria, coaching e de carreira para cumprir este compromisso. Estas estratégias permitem fomentar o sentimento de pertença à empresa, um tema relativamente ao qual, 58% dos inquiridos revela existir consciência da importância reforçando que já têm iniciativas em curso neste sentido.

“Esta edição do Barómetro RH 2021/22 denota uma nova era na gestão de recursos humanos. A relevância do papel dos Recursos Humanos para as organizações nunca foi tão proeminente como nos últimos anos. A intensa transformação que atravessamos, tem vindo a gerar desafios cada vez mais complexos para as empresas.

Neste sentido, e para assegurar o sucesso num ambiente empresarial tão volátil, é essencial que os RH reforcem ainda mais o seu papel no processo de transformação e de gestão da mudança dentro das organizações. As prioridades dos profissionais mudaram e os colaboradores estão dispostos a ir mais além quando têm uma escolha sobre onde, quando e quanto trabalham. Ter o Employee Experience como estratégia de gestão é um diferencial competitivo. Ao colocar os profissionais no centro do negócio, estamos a contribuir para o aumento das taxas de retenção, fortalecimento da cultura, equipas mais envolvidas e uma maior satisfação do cliente. As pessoas são o verdadeiro motor das organizações, o que está intimamente ligado ao sucesso de cada negócio. O desafio do Kaizen Institute é a concretização dos objetivos disruptivos, potenciando a transformação diária e sustentada, com todas as pessoas, em todas as áreas, para chegar a níveis de desempenho económico e financeiro de excelência, garantindo a susten­ta­bilidade das organizações”, afirma Filipe Fontes, Diretor do Kaizen Institute Western Europe.

O trabalho remoto transformou-se, deixando de ser um privilégio ocasional para uma expectativa dada como adquirida para grande parte dos colaboradores. Nesta linha, 46% admite ter adotado um modelo de trabalho híbrido com 43% das pessoas a apostar em 2 dias de teletrabalho/semana. 

Contudo, 54% afirma ter optado por um modelo de trabalho presencial. 

Dentro dos maiores entraves na implementação do trabalho híbrido, 46% menciona a dificuldade de manter o espírito de equipa, motivação e sentimento de pertença à distância; já 43% aponta a falta de garantia de comunicação eficiente e clara.

O Barómetro RH 2021/2022 concluiu ainda que para melhorar a employee experience, 72% dos inqui­ridos foca como crucial a impor­tância de uma comunicação regular e clara da visão e propósito da organização. Por outro lado, e para responder ao aumento da tendência do turnover dos colaboradores, o aumento da remuneração e/ou benefícios e a revisão do plano de progressão de carreira são para 57% e 40% dos gestores de RH algumas das mais importantes premissas.

O Barómetro RH 2021/22 inquiriu cerca de 150 diretores de Recursos Humanos de grandes e médias empresas nacionais, com o objetivo de avaliar a resposta das organizações às principais tendências e desafios atualmente verificados na Gestão das Pessoas, bem como o grau de motivação e produtividade dos colaboradores.


  • 31% dos responsáveis de recursos humanos inquiridos no Barómetro RH 2021/22, realizado pelo Kaizen Institute em parceria com a Hays Portugal, admite que os aumentos salariais e a atri­buição de bónus e outras com­pensações monetárias são os dois fatores mais determinantes para justificar o nível de moti­vação dos seus colabo­ra­dores; 

  • 57% dos inquiridos considera a atribuição de prémios de referenciação uma prática cada vez mais comum em Portugal e na Europa, para atrair e reter talento; 

  • A retenção de talento (45%) e a contratação de novos pro­fissionais (42%) são as duas principais prioridades destacadas pelas empresas relativamente aos RH;  

  • O Barómetro RH 2021/22 inquiriu cerca de 150 diretores de Recursos Humanos de grandes e médias empresas nacionais.



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