1 de Maio de 2022





MANUELA RIBEIRO

Consultora e criadora da metodologia THE CHOICE – service awareness



Construir o futuro, a partir desse futuro? Uma gestão dos Novos Tempos.



Escrevo este texto no dia 25 de fevereiro, ou seja, um dia depois de todos termos sido convocados para um novo desafio.




C

om a pandemia ainda instalada, as nossas vidas pessoais e profissionais ainda em reorganização e … “here we go again” tendo de fazer face aos impactos de uma guerra intensa na Europa, com tudo o que isso significa em termos de vidas humanas, aspetos sociais e económicos.

Curiosamente neste mesmo mês de fevereiro, iniciei a participação num projeto internacional - U Lab 2x 2022 – um acelerador de transformação baseado nos princípios da Teoria U, desenvolvido para ajudar equipas, organizações e redes maiores de entidades, a Co-Criar soluções para fazer face às disrupções atuais em termos sociais, económicos e ambientais, a partir do futuro que queremos criar.

O que me impactou desde o primeiro momento em que conheci a Teoria U, em 2014, foi:

1 – A responsabilidade e o poder de cada individuo em contribuir para as soluções;

2 – Uma intenção clara sobre o futuro a construir – as bases para o alinhamento da intenção com a ação;

3 – A solução tem de contemplar informação recolhida a partir de todos os stakeholders envolvidos e gerar ganhos para todos – indivíduos – negócio - sociedade – planeta.

Difícil? Claro que sim.

Possível? Claro que sim.

Requer esforço, compromisso e muito desapego, para deixar ir ideias pré concebidas que já não aportam valor e muita disponibilidade mental e emocional, para se permitir sentir o que está a ser sinalizado, a emergir como possível de ser construído.

O processo tem 4 fases, a primeira sessão aconteceu no passado dia 17 de janeiro, e juntou mais de 700 pessoas de todo o mundo, durante 1h,30 minutos, numa sessão online.

Já tinha pensado em partilhar o processo neste espaço Start&Go, mas depois tive duvidas, no entanto, depois do acontecimento de ontem ficou claro que o devia fazer.

Segue-se a partilha do processo

– FASE 1 – CO INITIATING

- Criação da equipa de projeto, com a consciência de que todos os participantes precisam uns dos outros para agir e para seguir em frente

- O projeto começa com uma ideia geral sobre a intenção a manifestar, mas depois essa intenção precisa de ser reconfirmada entre toda a equipa – a ideia original pode ser vista como os primeiros traços de um desenho colocado por um ou alguns membros, com muito espaço em branco ao seu redor, onde todos os outros membros podem adicionar a sua contribuição. Desta forma, altera-se a dinâmica do poder de propriedade para o pertencimento, em que cada participante vê a sua parte, dentro de um todo.

- Essa intenção terá como objetivo base servir a evolução de todo o ecossistema de partes interessadas no sistema, que o grupo está a trabalhar para mudar.

- Durante a partilha é fundamental que cada elemento confie na “inteligência do seu coração” quando se conecta com as pessoas ou explora 




possibilidades, que podem parecer não ter relação com a questão estratégica em questão. Requer assim abertura a outras formas de enquadrar o problema ou oportunidade (diferentes atores-chave podem enfatizar diferentes aspetos e variáveis).

- A conexão entre as pessoas deverá ocorrer em termos profissionais e pessoais: no sentido de se conectar com o seu maior senso futuro de propósito (Eu e o Trabalho), não apenas com o seu papel e responsabilidade organizacional.

- Para criar o compromisso conjunto, é fundamental esclarecer e alinhar entre toda a equipa os conteúdos do Vertical Prototyping Canvas:

1 – O SOL – Qual a maior aspiração e intenção para este projeto?

2 – O SENTIR - Quais os espaços / ambientes com maior potencial para nos ensinar, sobre o que estamos a tentar criar?

3 – A FONTE – para materializar esta intenção, o que é necessário soltar/deixar ir e o que precisamos deixar entrar/ deixar chegar?

4 – AS SEMENTES – onde é que já vemos as sementes / princípios, desse futuro que queremos criar agora?

5 – EXPERIENCIAR NO MICROCOSMO – o que podemos fazer para explorar essa intenção de futuro, com uma ação concreta no momento atual?

6 – O SOLO – Que espaços / formas de estar internos e externos, precisamos de cultivar?

7 – RESPONSÁVEIS E PARTES INTERESSADAS – Quem dentro da nossa equipa tem essa visão do todo? Quem são os outros stakeholders /partes interessadas críticos para o projeto, que precisamos de envolver?

8 – AÇÕES ESTRATÉGICAS – Qual é a ação estratégica mais importante, que temos de tomar agora?








Por vezes é mais simples colocar e responder a estas questões num ambiente social ao nível de saúde, educação entre outros, mas trazer esta visão para dentro das organizações - seja como impulso para corrigir situações criticas do quotidiano, como incentivo à implementação de ideias incríveis que aguardam um momento “certo” de materialização, até ao acelerar de outros projetos de inovação já em curso – pode criar um alteração significativa nos níveis de performance, como evidenciam exemplos nacionais e internacionais.


Muito caminho pela frente e muita esperança, na nossa capacidade de criar um NOVO TEMPO mais equilibrado para todos – individuo - sociedade – negócio – 

planeta.


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