6 de Novembro de 2021











RUI PEDRO OLIVEIRA

CEO, IMAGINEW



ACTION - CUT



ACTION!

 




S

quid Game. O seu autor Sul Coreano Jung Jae-il esteve quase 10 anos a tentar vender o seu script (inicialmente era um único filme) batendo a todas as portas tendo inclusive vendido o seu laptop para sobreviver. Em 2019 a Netflix comprou a série onde investiu 21 m USD que valorizou após um mês da sua estreia mais de 1,5 bi USD a cotação da Netflix na bolsa após a direção de Hwang Dong-hyuk ter mudado o formato para mini-séries alcançando nesse mês 142.000.000 de lares em todo o mundo, batendo todos os recordes.

La Casa de Papel, foi um fracasso nas suas primeiras emissões em canal aberto sendo descontinuado nos primeiros formatos em Espanha. A Netflix comprou por um preço simbólico de 1€ mais o passivo da empresa e começou a sua própria produção que custou 700.000€… cada episódio. Foram algumas temporadas terminando daqui a um mês sensivelmente. Alguns dos atores Espanhóis outrora desconhecidos do público já rumaram a grandes metragens em Hollywood.

Um filme nos EUA que custe 10.000.000 de USD é considerado “low cost”. São realidades diferentes, eu sei. Mas quem já tinha visto séries sul coreanas ou espanholas terem estes créditos em todo o mundo?

Eu estou a produzir um filme animado. Por questões de pactos de confidencialidade não vou escrever dele uma única linha. A seu tempo falarei.



Vamos ao caso português.

Um filme que sai brevemente, levou para uma aldeia 300 figurantes maquilha­dos no seu estúdio em alguns autocarros para uma aldeia que recreava o ambiente que necessitavam. Gastou centenas de milhares de euros nos fatos à medida, levou inclusive burros e cavalos, escavaram o chão para fazer parecer o que se passou nesse século.

A população não gostou, prometeram os promotores deixar tudo igual, e assim ficou. Ele gosta mais do investimento privado do que o público. Tem um estúdio com os meios que o próprio montou absolutamente de topo, 

completamente autónomo para criar o que lhe pedirem ou lhe apetecer fazer ao nível tecnológico do que melhor já vi no mundo.

A maioria, friso, a maioria, não todos os cineastas, não está preocupado com a qualidade que querem impor às suas obras. Há coisas bem feitas, claro que há, aliás a Ana Rocha é exemplo disso mas teve que ser no estrangeiro a reco­nhe­cerem o seu mérito para depois em Portugal sim, finalmente ganhar créditos e motivo de orgulho. A maioria como depende dos institutos, comissões e de outras entidades, recebem uns milhares de euros, quer os cineastas 


quer alguns membros dessas entidades e gostam é de passear pelo American Film Market em Santa Mónica na California, no festival de Veneza em Cannes ou na Berlinale em Berlim, depois vê-se que promoção foi feita.

No ano 2000 apareceu um filme chamado Branca de Neve, totalmente financiado pelo Instituto do Cinema Audiovisual e Multimédia o IPC em 650.000€ e pela RTP em 130.000€ (relembro que em 2000 ainda era em escudos, portanto seriam aproximadamente segundo um site de simulações financeiras um total de 1.266.000€ aos números de hoje) em que o filme era todo preto e tinha umas falas e uns “frames” amiúde. Gostava de ver o orçamento descritivo do mesmo, aposto nuns 30.000€ de produção e 750.000€ em promoção.


não estará na altura de pensarmos em ter os melhores na área audiovisual a dominar este panorama




Se são mega produções não há enquadramento para elas no nosso país, os fundos comunitários não sei porquê, mesmo com os melhores experts a gerir os mesmos nunca enquadram tal produções, a banca resiste sempre a algo tão intangível e só mesmo com meios privados é possível fazer algo substancial e de cariz internacional. Se são pequenas produções, os mesmos estão dependentes dessas entidades e vão 



todos os anos buscar uns “trocos” para as suas produções e demoram os anos necessários (conheço um caso que demorou 14 anos para fazer um filme inferior a 50.000€) e depois, claro... o resultado é o que se vê.

Somos neste sector (entre outros) um mau exemplo do que exportamos, tiran­do uma ou outra exceção.

E a desculpa não pode ser de sermos pequenos, porque não somos. Da mesma forma que eu não percebo nada de filmes mas fui buscar os melhores que estão ao meu alcance, um deles é espanhol, o pai já tinha trabalhado diretamente com o Walt Disney e fez um filme de animação em Espanha que foi para os cinemas de alguns países, que lhe custou 8.000.000€ e ao fim de 9 meses já tinha lucrado 55.000.000€. Aqui ao lado, em Madrid!

Não desviando do tema a FPF é um exemplo de tudo isso, na sua gestão, na sua imagem, no seu altruísmo e até na espetacular Cidade do Futebol.

Percebem os seus dirigentes de futebol? Não faço ideia, mas rodearam-se de profissionais de topo que percebem destas vastas áreas, de gestores no marketing ao protocolo, das estruturas e claro aos talentosos jogadores que temos. Outro exemplo é o Turismo de Portugal, projeta muito bem a excelência de Portugal em todo o mundo, o segredo? Quem está por dentro das estruturas são 



os profissionais de cada área que contratam para o efeito, quem colocou a onda da Nazaré em Times Square, nos  nossos arquitetos na Expo do Dubai, nos nossos talentosos artistas além fronteiras que é tudo marca Portugal. Nos sector dos vinhos que tanta gente emprega e levam o nosso nome por todo o mundo, como em milhares de áreas, da medicina às tecnologias, com uma curiosidade em comum. Investimento privado ou pelo menos não dos sectores da cultura.

Por vezes escandalizam-se os Portugueses quando pedem para colocar árbitros internacionais nos jogos decisivos do nosso sempre amado futebol, não me escandaliza nada. Se temos um Sir, nomeado pela Rainha de Inglaterra ao leme de um dos maiores bancos Suíços depois de ter salvo o maior banco do Reino Unido com uma equipa muito profissional e acabou a revender parte das suas ações com lucro para os contribuintes ingleses, se temos o melhor jogador e treinadores nos holofotes em todo o mundo e um lusitano à frente da PSA porque não estará na altura de pensarmos em ter os melhores na área audiovisual a dominar este panorama, nem que tenhamos que importar, já que exportamos tão bem os melhores.

Fica a sugestão.


CUT.













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