6 de Novembro de 2021









Luis Augusto Lobão Mendes

Professor e Consultor  





 


GOVERNANÇA QUE PRESERVA VALOR X GOVERANÇA QUE CRIAR VALOR









A pandemia trouxe uma perceção em todos os ambientes de governança (família, empresa, estado, pais e no mundo) que as questões de preservação social e ambiental devem ser questões críticas.



P

ara o bem ou para o mal, a pandemia da Covid-19 deixou a sua marca para o futuro. O cenário de destruição e criação, de altos e baixos, é terreno fértil que será analisado por anos e, possivelmente, décadas daqui para a frente. Os reflexos na economia e nos negócios já podem ser percebidos e levantam discussões urgentes sobre os modelos, estratégias, funções e perfis dos negócios. 

No cenário atual, os negócios mudam, assim como as empresas, e os conselhos de administração também passam por mudanças profundas. É necessário estar atento aos novos desafios, ver novas possibilidades e construir novas formas de pensar e fazer negócios.

O facto é que as empresas precisam necessariamente estar ou se tornarem mais e ágeis e adaptativas frente às novas realidades atuais e futuras, seja por meio de novos hábitos de higiene, de saúde, processos fabris, mas também financeiros, como por exemplo, na gestão do caixa e na análise de investimentos.

Essas mudanças geram pressão por cumprimento de metas, aumento da responsabilidade, stress e desafios dentro das empresas. Desta forma, outro ponto importante será o de aumentar o grau de resiliência organizacional.


A resiliência é um conceito originário da física e significa a capacidade que alguns materiais têm de voltar ao seu estado original sem deformação após ser submetido à pressão. Na ciência humana, é definida como a capacidade do indivíduo de superar adversidades sem ser afetado por elas de modo negativo e permanente.

São esses dilemas e contradições que vêm desafiando a alta gestão e os conselhos empresariais. A criação de valor passa por uma consciencialização desta necessidade, de olhar para o futuro e tentar capturar oportunidades para os seus negócios, antes que se tornem óbvias demais. A Governança Corporativa conceitualmente surgiu da necessidade de novas regras para proteger os acionistas dos abusos dos executivos das empresas, da inércia de conselhos de administração e das omissões das auditorias externas. Tal conflito é resultante, da separação da ‘propriedade’ com a gestão empresarial e pela delegação do poder de decisão sobre a propriedade a um executivo profissional, ou seja, o objetivo era o de preservação de valor. Com as novas necessidades, as empresas modernizarem sua alta gestão e da participação num ambiente mais competitivo, tornando-se mais atraentes para o mercado, que foi acelerado pelos processos de globalização, privatização e desregulamentação da economia, os conselheiros profissionais e independentes surgiram em resposta ao movimento pelas boas práticas de Governança Corporativa, mas isto atualmente não é mais suficiente.

Agora, parece haver uma maior sensibilidade empresarial em relação a necessidade de manter a integridade física, psicológica e económica, pensar também no coletivo.


Os donos dinheiro chegam com esta bandeira e querem empresas mais éticas e responsáveis, este interesse do investidor atualmente muda o jogo! Os números não mentem, mas às vezes não sentem de imediato esta mudança, e este gap entre passado e o futuro é o novo desafio dos conselhos e conselheiros.




Essa sensibilidade precisa ser traduzida numa completa reformulação das formas de tomada de decisão, da arqui­tetura empresarial da alta gestão e até mesmo de questões de formato, práticas e cadências de controle.

A criação de valor passa por uma consciencialização desta necessidade. Os conselhos 

estão sujeitos aos mesmos impactos e influências da empresa, pois são regidos por aspetos que poderão sugerir a composição de novas funções ou reconfiguração das funções tradicionais de um conselho. Alguns fatores podem afetar eventuais funções de criação de valor atualmente, mas que elementos seriam esses?




Os movimentos do mercado de atuação da empresa inspiram para revisão das funções de um conselho, principalmente em um reposicionamento estratégico da empresa que leva à exigência de novas funções. A alta gestão relacionadas ao campo da estratégia devem fomentar a sua atualização de forma muito mais intensa, ágil e adaptativa. Por fim, o modelo deve materializar a resposta para a volatilidade do mercado com base nos valores da marca, seu propósito e visão.

Deve estar alinhado com a dinâmica da inovação e relacionar os OKRs com a 




cultura.

Um excelente modelo de negócio é um dos principais facilitadores para que a estratégia não seja devorada no café da manhã ou esquecida no happy hour!

Ao final gostaria de alertar que na Economia Digital, o consumidor se tornou o protagonista a ser compreendido de forma holística e detalhada, visando determinar as características, tendências e dinâmicas do mercado. Nesse ambiente de trocas que compõem um novo ecossistema económico e social, o sucesso depende diretamente da formulação da estratégia conforme o consumidor e o mercado.

Agora, o consumidor prepara-se para mais uma evolução, que afeta na veia o futuro das organizações: do consumidor ativo para o consumidor ativista. Um modelo de governança se ajusta à realidade de cada empresa e é um processo evolutivo, merecendo avaliação contínua e proposta de evolução. O melhor momento para investir na criação de um sistema de governança é justamente nos períodos de crise, se sua empresa está vivenciando este cenário, mãos à obra! É hora de começar a estruturar a governança que cria valor.


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