28 de Julho de 2021





ALBERTO ARAÚJO LIMA

SVP EMEA Operations na FaceTec, Inc







O balcão digital, enfim, concretizado



Enquanto CEO de uma das tecnológicas portuguesas mais disruptivas, estive desde 2016 a procurar convencer clientes e autoridades que já tinham ao seu dispor as condições tecnológicas adequadas para fazer equivaler biologicamente uma interação digital à presença física num balcão.




É

evidente que fui ou­sado, mas estava con­­vencido das capaci­dades técnicas que su­por­tavam aquela pro­posta.

Em 2017 lancei mesmo o desafio ao governo português, o de usar tecnologia para permitir a qualquer cidadão o acesso não presencial e sem necessidade de códigos, à chave móvel digital, algo que se concretizou recentemente em termos legislativos.

Tudo porque defendo que até é mais seguro usar sistemas biométricos com tecnologia que valide estarmos perante um ser vivo em tempo real, do que um agente humano que pode ser facilmente enganado seja presencialmente por cidadãos parecidos ou gémeos, ou até digitalmente por vídeos deepfake em tempo real.

Em novembro do ano transato deixei, com um nó no estomago, a empresa portuguesa e abracei um projeto global fazendo agora parte da equipa de gestão de uma tecnológica Norte Americana que fornece a esta e a centenas de orga­nizações a peça central que permite al­cançar os níveis de segurança referidos.

Atualmente, em todo mundo, gover­nos e grandes organizações utilizam esta peça tecnológica para permitir validar uma equivalência da interação digital à presença física.

As organizações comerciais (e não apenas essas) investem em direcionar o

foco para o cliente, em alternativa a direcioná-lo para o produto, pelo menos desde os tempos em que a demanda ganhou traços característicos de escassez, seleção e exigência, próprios das sociedades em que melhor se vive.

Até em organizações Estatais a relação digital pode já ser praticamente isso mesmo, apenas digital. Por exemplo, já pode usar a chave móvel digital para gerir a sua relação remota com o Estado apesar de a mesma ainda estar longe de uma equivalência à presença física. Ainda assim houve um momento inicial de fricção na sua obtenção, seja por via de dispositivo físico para leitura de cartão de cidadão, seja por via presencial em lojas do cidadão.

E o mesmo vai acontecendo em várias organizações, ou a “contratação” é presencial, ou dificilmente se pode es­tabelecer uma relação digital ad-início com uma segurança e certezas equi­valente (até superior como referi) à pre­sencial.

As organizações têm agora a capacidade de elevar a relação digital para o mesmo nível do da informação, o nível da relação instantânea. E podem fazê-lo porque podem validar as iden­tidades dos interlocutores remotos com suficiente confiança.

Assim, um cliente ou utilizador de uma qualquer instituição pode ser verificado digitalmente, sem utilização de qualquer password e ser validado com maior segurança e muito melhor                     

experiência de utilização do que teria em qualquer deslocação física.

E isto só é possível graças à peça tecnológica de “prova de vida” ou “liveness detection” que encaixa nas aplicações das organizações com que os utilizadores interagem.

A prova de vida através da verificação biométrica do fator biológico que todos os governos guardam de nós, o rosto, é para a indústria de identificação e au­tenticação digital, a peça mais fun­damental de uma verdadeira solução de verificação digital remota de iden­tidade. E só com este tipo de tecnologia as organizações podem impedir a trans­missibilidade, acabando com es­quemas de fraude como o phishing. Leu bem, a-c-a-b-a-r.

Acabar porque, ainda que seja possível roubar uma imagem, um vídeo ou obter uma máscara realista de um determinado cliente ou utilizador, um sistema robusto de prova de vida não vai detetar a presença de um ser vivo naquele momento e vai impedir a operação fraudulenta. E mais, estes sistemas não devem defender apenas as organizações deste tipo de ataques à componente biológica.



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