29 de Julho de 2021








ALEXANDRA O'NEIL

Co-Founder and Manager of SATT Aviation


“Mindfulness” chavão trendy ou necessidade?


Mindfulness é a ideia de aprender a estar totalmente presente e envolvido no momento, ciente dos pensamentos e sentimentos sem distração ou julgamento.




­
O

conceito de Mindfulness surge definido no dicionário como a qualidade ou estado de “estar consciente ou alerta”, é também definido como, um “estado mental alcançado através do foco no momento presente, enquanto reconhecemos e aceitamos os nossos pensamentos e sensações”.

A aplicação holística de uma abordagem de Mindfulness tanto ao nível individual como coletivo, foi identificada como benéfica inclusivamente por organismos internacionais de gestão, que presentemente incentivam e procuram disseminar o conceito e sua aplicação, nomeadamente através de formações, workshops e seminários.







Mas o que significa então efetivamente Mindfulness de forma aplicada? e será que se trata somente de mais um conceito trendy, ou será uma necessidade real, tando de indivíduos, organizações e da sociedade em geral?

A resposta deverá ser enquadrada numa perspetiva global, na qual a relevância do bem-estar e consciência da importância do nosso pensamento e do seu reflexo, nas nossas ações, surge como pilar fundamental para a abordagem quotidiana no mundo desenvolvido.

O conceito de Mindfulness sugere que a nossa mente está diretamente envolvida com o nosso enquadramento e contexto, assim como com as nossas ações. 



O conceito poderá parecer trivial num primeiro contacto, no entanto, quantos de nós já agimos desconec­tadamente entre pensamento e ação, entre intensão, objetivo e ação, entre reflexão, planeamento e execução?

Como seres pensantes, descolamos frequentemente em voos mentais que nos desconectam do concreto, levando-nos a preocupações, pensamentos obsessivos e improdutivos sobre o passado e o futuro, alimentando sentimentos de ansiedade e stress, que em nada contribuem para o bem-estar que pretendemos alcançar individualmente e em sociedade.

A abordagem de Mindfulness corresponderá assim à capacidade de nos concentrarmos e encontrarmos no presente, de forma consciente, onde estamos, e no que estamos a fazer, removendo camadas de comportamento reativo, originado pela falta de proatividade na efetiva compreensão do nosso enquadramento.

Deste modo, mesmo quando nos encontrarmos à deriva, empurrados por pensamentos e reflexões, esta abordagem permitirá a desejada consciência situacional que nos fará identificar onde estamos, assim como o que estamos a fazer e a sentir.

Mindfulness, no sentido da atenção plena, será uma qualidade inata, acessível e cultivável através de técnicas comprovadas. Pausas anuais, mensais, semanais e diárias, periódicas, calendarizadas e definidas, utilizadas para a planeamento com consciência do presente, preparação, contemplação, reflexão e balanço, demonstram

      resultados nos níveis de proatividade produtiva, beneficiando a capacidade de ação eficaz, reduzindo o stress, aumentando a performance e incrementando a capacidade de analise e observação contextual. Deste modo, através do reconhecimento dos benefícios da “atenção plena”, singular, social e mesmo corporativa, poderemos almejar a redução e mesmo a eliminação da comprometedora e consumidora reatividade, maximizando o nosso mais relevante recurso, o tempo.

      A abordagem de Mindfulness, ou “plena atenção”, permite assim que suspendamos julgamentos e libertemos a capacidade de reflexão e preparação. Trata-se de uma perspetiva e técnica basilar de concentração que permite a habilitação da relevância do “agora”, de estarmos no presente, alcançando a nossa total capacidade.

      Cultivando estas qualidades com praticas de benefício demonstrado, alteraremos a realidade de cada elemento, organização, entidade ou sociedade.

      A alteração em questão não se encontra fundada em mudança, mas somente no reconhecimento e cultivação do melhor que a reflexão, perceção, preparação e enquadramento nos pode trazer. Através desta consciencialização universal, sem necessidade de mudança, poderemos conseguir uma transformação social benéfica, transversal e facilmente alcançável, eliminando o desnecessário stress da nossa forma de viver, potenciando a inovação, e a produtividade.

      A capacidade de lidarmos com a galopante complexidade e incerteza do mundo atual será assim melhorada através da prática de princípios de mindfulness, dado que esta permitirá a resposta efetiva, eficaz e resiliente às enumeras solicitações às quais somos sujeitos diariamente, através da consciência de que as nossas ações deverão ser o reflexo e concretização do nosso pensamento. 

      Como concretizar? Preste atenção ao que o envolve, onde está, ao que está a fazer. Tenha consciência plena das suas ações e aos ritmos a que sujeita a sua concretização. Dê uma oportunidade à reflexão, e planeamento, com a consciência do seu contexto. Em termos práticos, “Acorde”, defina objetivos, intenções e motivações. Defina perspetivas para as suas ações e não as desconecte do contexto. Centre-se no destino e descubra o caminho.







      Decida em consciência, inclua emoções e valores, propósito e conexão. Em cada decisão e ação, estabeleça intenções mantendo o pensamento consciente da sua consequência. Inicie qualquer ano, mês, semana, dia ou atividade perguntando-se qual a intensão? Como alcançar o melhor impacto? Como reforçar ou desenvolver o impacto desejado? Qual o impacto em mim e nos outros?

      Respire e pergunte de forma genuína, faça um compasso de espera e questione-se. Ao longo do ano, do mês, da semana e do dia, verifique. Faça uma pausa, respire e valide se continua no caminho traçado, se mantém o rumo consciente e planeado para a sua intenção.

      Saborear será talvez, na minha opinião, a expressão que melhor descreve o conceito de Mindfulness. Saboreie cada dentada na sua vida, cada minuto, hora e dia, cada experiência, cada momento, cada interação, com o meio e com outros.

      O enriquecimento, através do paladar e olfato, face à mera nutrição, permite-nos recordar e aprender, transitando-nos para a consciência da relevância das vivências que se tornam memórias e aprendizagens. Saboreando e deleitando-nos com cada momento, de acordo com a nossa fome ou ambição, com o nosso desejo ou objetivo, apreciando e digerindo de forma tranquila cada dentada, seletiva e decidida, permitirá que não insista no que não lhe trará os resultados favoráveis objetivados.

      A consciência que a escolha é sua, será o primeiro passo para que de forma simples e eficaz alcance a “plena atenção”, singular, social e mesmo corporativa. 







      Assim, decida! 

      Decida e saboreie!




      Subscreva esta mailing list para receber a revista em formato digital gratuitamente...