11 de Abril de 2021




Em tempos de pandemia

CLIVEON surge como alternativa aos espetáculos ao vivo



A plataforma Cliveon - Culture Live Online abriu portas a 1 de julho de 2020 com autênticas salas de espetáculo digitais. O projeto nasceu da necessidade de “adaptação às circunstâncias” e procura “rentabilizar e profissionalizar o mundo das emissões virtuais em direto”. Neste caso, “foi a pandemia que ditou que este era o caminho possível e melhor a se tomar”, explica Miguel Belo, fundador e diretor geral da Brain Entertainment, empresa nacional que se dedica à área do entretenimento e da comunicação.

 


S

urgida da necessidade de possibilitar aos agentes culturais a rentabilização digital da sua arte em tempos de pandemia e confinamento, a Cliveon é uma nova plataforma online que permite a qualquer pessoa assistir em direto a espetáculos dos mais variados géneros.

Em resultado da pandemia, “aperce­bemos que os artistas e técnicos iriam estar longos períodos de tempo sem qualquer retorno financeiro pelo seu trabalho” e que, "de repente, estavam todos a fazer conteúdos gratuitos na Net, sem qualquer cobrança de bilhetes", ou a "criar plataformas sem uma programação estudada. Foi então que decidimos criar ‘algo profissional’", explica Miguel Belo, diretor geral da Brain Entertainment.

A ideia por detrás deste projeto, que nasce da necessidade de “adaptação às circunstâncias”, passa por “rentabilizar e profissionalizar o mundo das emissões virtuais em direto”. Para tal, a progra­mação conta com concertos, peças de teatro, espetáculos de stand-up, dança, visitas a museus e conferências, com nomes portugueses e estrangeiros.

Independentemente do conteúdo, os bilhetes custam apenas 2 euros e Miguel Belo assegura que “à hora marcada, o espetáculo acontece em tempo real como se entrássemos numa sala, com a par­ticularidade de os conteúdos em portu­guês terem tradução para língua gestual em simultâneo, opção do utilizador na entrada para o espetáculo”. A Cliveon pretende assim ser uma forma de gerar lucros para os artistas, produ­tores de conteúdos, equipamentos cultu­rais e suas equipas sem limite de lotação, pois “quanto maior o número de vendas,


maior o retorno”.

Questionado se o projeto se irá manter-se quando for retomada a “normalidade”, o diretor geral da Brain Entertainment, garante que sim. No entanto, ressalva, “somos totalmente defensores dos espetáculos em salas, com público. É disso que vivemos e promovemos nos últimos 20 anos. Apenas vemos o digital como mais uma solução de acesso à cultura que a pandemia mostrou ao público como uma opção viável em tempos inusitados”. A plataforma é dirigida tanto para o mercado nacional como internacional, “não só pelos conteúdos nacionais que têm público espalhado pelo Mundo, como pelos próprios conteúdos internacionais que promovemos na plataforma”, salienta o responsável. O projeto nasceu em julho passado, mas o “facto de trabalharmos os nossos conteúdos digitais como se de um programa de televisão se tratasse, com todo o profissionalismo e qualidade exigidas, confere uma segurança grande para os artistas e uma experiência imersiva para quem está em casa, que pode inclusivamente falar com os artistas em direto”. Por isso não é de estranhar



que o feedback esteja a ser positivo.

Desafiado a identificar os principais desafios que o setor enfrenta a curto e médio prazo, Miguel Belo aponta para o problema da “sobrevivência dos mais fracos”. “Mais de 90% da comunidade artística/cultural está sem trabalho há um ano, o que origina o fecho de muitas empresas do setor e a necessidade dos agentes culturais procurarem outro tipo de atividade que coloque pão na mesa. Estamos a perder excelentes empresas e profissionais todos os dias. Não prevejo a recuperação total desta massa produtiva antes de 3 a 4 anos. Por agora mantêm-se aquelas empresas que detêm um equilíbrio financeiro que as permite ‘aguentar o barco’ pois, infelizmente, a rentabilização digital ainda não atingiu níveis que permitam que o mercado no geral respire de alívio”. A terminar, o responsável acrescenta ainda que a Cliveon encerrou o ano de 2020 com uma quebra de quase 60% na faturação em relação a 2019. Já para 2021, Miguel Belo estima que a quebra “esteja abaixo dos 40% e em 2022 abaixo dos 20%”, remata.


Por Fernanda Silva Teixeira





“apercebemos que os artistas e técnicos iriam estar longos períodos de tempo sem qualquer retorno financeiro pelo seu trabalho” e que, "de repente, estavam todos a fazer conteúdos gratuitos na Net, sem qualquer cobrança de bilhetes", ou a "criar plataformas sem uma programação estudada. Foi então que decidimos criar ‘algo profissional’"


João Belo




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