13 de Abril de 2021










HUGO GONÇALVES

Executive Coach | Senior Organizational Engineer 

Blogger @ www.knowmad.pt



Preferes CONCEITOS ou ESSÊNCIA?


Embora não acredite no QI como “critério” de coisa alguma, compreendo e abraço completamente a metáfora. E o inverso também é verdade, ou seja, quem tiver uma rigidez mental mais acentuada, eventualmente poderá não ter acesso e conectar com visões, possibilidades e oportunidades diferentes.



Uma rápida pesquisa nos meus círculos pessoais e pro­fissi­onais mostra que a reinvenção está na ordem do dia.

Muitos clientes, co­le­gas e amigos apro­vei­taram ou ainda estão a aproveitar estes tempos para fazer algum tipo de reinvenção, alterações, saídas da zona de conforto ou dos hábitos.

Isto faz todo o sentido, a partir do momento que estamos a levar um grande abanão a nível pessoal e profissional, e como se costuma dizer, em momentos limites a verdade – sobre nós, sobre o nosso trabalho, vida e contexto, vem ao de cima.

Espetacular. Mas o que queria partilhar contigo é a questão do formato dessa reinvenção. 

A nível profissional e das organizações, alguns estão a seguir pela criação desenfreada de novos Conceitos. Outros agarram-se comple­tamente à estratégia de manter a Essência.

Olho com curiosidade e também com dúvidas para esta polarização, porque eu próprio também estou nesse caminho da reinvenção profissional. E acredito que pelo facto de termos dicotomias em tudo na nossa vida, precisamos de Essência e                     

Conceitos para sermos melhor pro­fissionais e criar as melhores meta­morfoses nas nossas organizações.

Vamos então começar pelo racional da coisa:

CONCEITO:

• representação mental, abstrata e geral, de um objeto; 

• compreensão que uma pessoa tem de uma palavra; noção, ideia; 

• apreciação, juízo e representação simbólica ou visual com um significado geral que abarca toda uma série de objetos que possuem propriedades comuns.

ESSÊNCIA:

• Algo permanente, a natureza individual, real ou definitiva de uma coisa ou pessoa; 

• o elemento mais significativo, qualidade ou aspeto de uma coisa ou pessoa; 

• um que possui ou exibe uma qualidade em abundância como se existisse em forma concentrada.


Olhando com alguma atenção, o Conceito está mais ligado a representações e interpretações mentais e lógicas. A Essência está associada a algo                     

mais emocional, visceral e a coisas que nos constituem e que são representativas da nossa individualidade e distinção.

No mundo profissional, das organizações e do business, estamos ainda muito “agarrados” aos Conceitos. 

Dos produtos, dos serviços, dos processos, da forma como entregamos valor. Não há restaurante trendy, app ou empresa de serviços que comece a sua apresentação por 

“O nosso Conceito é…”

E tudo bem, mas sabes que mais?

Em muitos desses casos deteto algo ainda mais importante e bonito, que é a Essência, ou seja, a forma distinta e apaixonada como esses profissionais vivem o seu trabalho, negócio e ideia como sendo algo que ao mesmo tempo representa quem são como pessoas e o tipo de impactos que desejam criar nos seus e no mundo.

E é pena essa riqueza ficar “abafada” pelo Conceito, proposta de valor e afins.

E faço um disclaimer, eu próprio muitas vezes ponho o Conceito à frente da Essência a nível profissional. Porque eventualmente é a linguagem comum que funciona melhor num mundo organizacional e de negócios que funciona ainda muito pela lógica, sequência, processos, kpis.

Se calhar ainda recorro muito ao                      

Conceito para poder de uma forma equilibrada mostrar aos outros mostrar o que faço, embora me pareça mais importante o “como faço” e “porque faço”. Só depois consigo AGIR e IMPACTAR, através da Essência e da forma como faço o delivery, para ajudar e facilitar a transformação de potencial em resultados e eficácia de Pessoas e Organizações.

Ou seja, movo-me em alguns Conceitos.

E estou a finalizar a representação visual de uma abordagem integrada destes meus personas profissionais. E sim, já tenho em mãos um nome (Conceito) para essa abordagem integrada.

Falando com um grande amigo e colega meu sobre esta consolidação, surgiu a “epifania” da Essência.

O conselho que ele me deu foi para “comunicar a minha cena” e “mostra como fazes as coisas à Hugo”. É de génio. O feedback do meu amigo, claro!

Então resolvi apostar ainda mais na Essência. E algumas “novidades profissionais” que irei partilhar nas próximas semanas irão estar suportadas por conceitos, mas isso não será o mais importante e distintivo.

Porque os Conceitos (O QUÊ) eventualmente mudarão daqui a uns anos, as minhas abor­dagens pro­fis­sionais também, mas a nível profissional                     

a minha Essência e a “minha Cena” mantiveram-se relativamente constantes (COMO E PORQUÊ) nos últimos anos. E fazem parte de um caminho que pretendo continuar a trilhar.

Acho que a grande aprendizagem aqui é que estamos sempre muito mais focados em como interagir para fora, sem as vezes termos noção do porquê disso ser importante dentro de nós.

A comunicar, por exemplo, quando estamos a querer convencer alguém da valia do nosso Conceito, o foco está mesmo nisso, na expetativa de que os outros gostem ou com o medo de não gostarem e das respetivas consequências (seja não convencer, sermos questi­onados ou criticados, não ganharmos negócios).

Agora experimentemos comunicar algo porque estamos mesmo convictos da sua importância e impacto.

Aqui o mais importante não é convencer os outros, mas partilhar com os outros algo que achamos que poderá ter impactos positivos.

E claro descobrir quais os pains&gains dos outros e ver como é que podemos contribuir para algo melhor em ambos os contextos.

Então antes de definires os Conceitos que balizam o teu trabalho, oferta, produtos e serviços, organização e proposta de valor, quais são as Essências que os animam? A tua, dos teus colegas,                     

pares, equipas, líderes, parceiros e clientes?

Acho que isto da Essência é muito mais prático do que “esotérico”.

Na verdade, passar por dar menos importância aos nomes e dedicar tempo a agir segundo os verbos. Ou seja, se és criativo, curioso, organizado, estratega, comunicador, estudioso (nomes), encon­tra formas de materializares isso todos os dias através de decisões, ações e coisas que se possam ver e tocar (verbos de ação).



Neste mundo Líquido, o que nos vai safar dos Novos Normais não serão apenas os Conceitos.




Primeiro conteúdo, depois formatação. Primeiro Essência, depois Conceitos.



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