13 de Abril de 2021





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PAULO FINURAS

Docente | Investigador e Consultor



Será que os Líderes partilham (mesmo) características específicas?



Durante muitos anos, a tentativa de identificação de características especiais e distintas ou de padrões de comportamento de liderança explícita, não conseguiu avançar muito nas caracterizações recorrentes da natureza humana.




N

a verdade, isto até nem deveria consti­tuir-se como uma surpresa, porque os nossos antepassados fizeram uso da me­lhor maneira que puderam de quaisquer conhecimentos e competências disponíveis para conse­guirem efetuar as suas tarefas de liderança.

O que parece acontecer, por muito que isto desiluda os «gurus» das teorias de liderança, é que simplesmente parece não haver nenhuma habilidade distinta e específica associada à liderança! Todos os casos são únicos, diferentes e comuns.

No quadro do emaranhado das investigações e imensas teorizações que se têm produzido sobre a liderança, não parece haver afinal nenhuma evidência sobre as características comuns dos líderes, a não ser o facto de possuírem seguidores voluntários e, por isso, os seguirem. E também por isso, serem líderes.

Aparentemente, e até ao momento, apenas temos por certo que existe uma correlação forte e significativa entre liderança, inteligência e assertividade.  

Do mesmo modo, apenas temos por certo, para além destas duas qualidades, que há outras quatro características associadas àquilo que é considerado universalmente como uma ”boa liderança”: confiabilidade, generosidade, sentido de equidade e capacidade de sacrifício.

A perspetiva evolutiva da bio­liderança sugere assim uma explicação simples: os líderes de sucesso devem ser, de alguma forma, melhores do que outros membros do grupo quer na sua capacidade de compreender a natureza humana e da tarefa que enfrentam (inteligência), quer na capacidade de mobilizar e influenciar a ação, forne­cen­do a orientação correta ao grupo (asser­tividade). Se assim não fosse, outros membros iriam assumir o papel de Líder.

O que se sugere, não tem nada ver com a obtenção de um resultado elevado num qualquer teste de QI, ou num outro qualquer «teste» de assertividade. Trata-se, muito simplesmente, de qualidades baseada em tarefas e desempenho puramente funcionais e adaptativos!

Na generalidade, os membros dos grupos consideram a função de liderança suficientemente valiosa para justificar e                     

proteger o seu líder, ao invés de desperdiçar recursos e energias a lutar contra ele. O líder poderá estar certo da lealdade dos seus seguidores, enquanto eles o considerarem e reconhecerem como íntegro, confiável, generoso, imparcial e capaz de se sacrificar para completar a tarefa e os objetivos partilhados pelo grupo. Isto é diferente da dominância, baseada na força, na ameaça e no medo. Aliás, o medo apenas enfraquece o poder dos líderes porque os indivíduos apenas agem por receio de represálias e pela coação. Estes líderes são simplesmente odiados e nem assim se deveriam designar. Mais tarde ou mais cedo, estão condenados a serem afastados do cargo. E estas são a características chave que constituem a liderança. Não vale a pena complicar!


O medo apenas enfraquece o poder dos líderes


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