10 de Junho de 2021











Luis Augusto Lobão Mendes

Professor e Consultor  





 


Chegou a hora de mudar alguns fundamentos na Gestão de Negócios









No denso universo empresarial, pessoas perspicazes já compreenderam que só é possível prosperar daqui para frente nos negócios se cuidarem das pessoas!




T

anto para as que trabalham todos os dias para o negócio acon­tecer, como criando em­pa­tia e oferecendo uma relação de confiança e ganhos mútuos entre cli­entes, forne­cedores, parceiros de negócio e com o público em geral (sociedade). Fundamentos que cada vez mais são requisitos de Governança Corporativa (ESG - termo em inglês para Environmental, Social and Governance) No entanto, pessoas de decisão insistem em fórmulas simplistas e investem muita energia em recursos tangíveis, sem dar a devida importância para o principal foco daqui por diante: bens intangíveis.

Na pauta de discussão, é preciso abrir espaço, porque programas ligados à gestão dos ativos intangíveis pre­cisam de atenção e relevância. Precisam ser compreendidos como tão ou mais impor­tantes que qualquer outra iniciativa no negócio.

Nenhum cresci­men­to ocorre­rá sem que as pes­so­as, apoi­adas pelo seu diri­gentes, este­jam motivadas para fazer mais e diferente. As verbas destinadas aos programas de desenvol­vi­mento são ínfimas, não atendem o mínimo básico necessário, e os compradores de treina­mento precisam fazer milagres no mercado. No meu ponto de vista, um erro estratégico grave.



NENHUM CRESCIMENTO OCORRERÁ SEM QUE AS PESSOAS, APOIADAS PELOS SEUS DIRIGENTES, ESTEJAM MOTIVADAS PARA FAZER MAIS E DIFERENTE



Empresas que investem em bens intangíveis, fazem mais dinheiro a longo prazo a seu acionista! Os ativos intangíveis são importantes fatores de diferenciação e, dessa forma, contribuem sobremaneira para a obtenção de impor­tantes vantagens competitivas. Isso se deve à característica fundamental de todo ativo intangível: sua singularidade.

Isto é, os ativos tangíveis como máquinas, equipa­mentos, fábricas, etc., são adquiridos com relativa facilidade, desde que a empresa possua os recursos financeiros para tal. Os ativos intangíveis, por outro lado, são únicos e de propriedade de uma única organi­zação. E apesar de ser o ouro das organizações atualmente, muito pouco está identificado como recurso estra­tégico ou mesmo contabilizado no valor da empresa.

Entre muitos ativos conhe­cidos os principais são gera­dores de vantagens competi­tivas e criação de valor, e se encontro nos processos macro e micro de produção, vendas, administração e finanças, diferenciais decorrentes de uso de aplicações de inteli­gência artificial, integração de processos de automação, for­mas inovadoras e inspi­radoras de liderança, canais de vendas, atração e retenção de talentos, políticas inspira­doras de sustentabilidade e de treina­mento, imagem de idonei­dade e de responsa­bilidade, reputação, qualidade e agilidade dos processos e de serviços, construção de parce­rias e ecossistemas de negó­cio, capacidade de adaptação e inovação, etc. Todos têm valor, frequen­temente bem mais do que os ativos tangíveis contabilizados nas empresas (dinheiro, imóveis, máquinas, etc.)

As cinco empresas mais valiosas a valor de mercado                     

com base nas cotações de bolsa em 22 de junho de 2020, foram: Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet (Google) e Facebook. As mesmas valiam na época a preço de mercado US$ 6.023 bilhões. As mesmas acumu­la­vam com base nos patrim­ônios líquidos audita­dos na época US$ 556 bilhões.

Os ativos intangíveis dessas cinco empresas mon­ta­vam US$ 5.536 bilhões, a maioria não reconhecidas conta­bilmente. Bilhões são gastos para registrar, analisar e reportar os valores contábeis das empresas. Pouco é gasto para fun­damentar tecnicamente os valores não contabilizados. Os ativos biológicos - reflores­tamentos, plantações e criações de animais - eram até décadas passadas contabi­lizados e reconhecidos de forma insatisfatória. Agora, com uso de especialistas e novas tecnologias, as valorizações são feitas e reconhecidas em bases técni­cas. Os mesmos pro­blemas existiam sobre reservas minerais. Quantificar os prin­cipais componentes dos ativos intangíveis nas empre­sas considerando que há muita subjetividade nos milhares de fatores influ­enciadores, muitos deles fora de nossos controles, são um desafio. Mas longe de ser impossível, com uso de inteligência artificial, capa­cidade de computação e de recursos de informações e dados, quase ilimitados.

A Lei de Parkinson mos­tra que todos investem muito tempo naquilo que entendem, e nada ou quase nada, onde nada ou pouco entendem. O problema é que os ativos intangíveis hoje em dia na Era Digital, repre­sen­tam um componente estra­tégico para crescimento e um elemento de extremo valor paras empresas da nova economia.



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