30 de Dezembro de 2020









Luis Augusto Lobão Mendes

Professor e Consultor  


Fotografias D.R.



As pessoas passam a ser o novo diferencial competitivo



Atualmente em conversas que tenho com organizações e líderes empesarias, o tema de maior preocupação está no o impacto da Transformação Digital e o no novo Mindset Ágil que as empresas e gestores devem compreender.

 


T

enho reforçado em minhas palestras, con­sul­to­rias e também nas reuniões de conselho que faço parte, que a Transformação Digital não é sobre tec­nologia, mas sim sobre veloci­dade e adaptabilidade, tornando as em­presas mais produtivas e eficientes, seja pela inovação dos modelos de negócio ou pela melhor experiência do cliente, por oferecer produtos e serviços mais fáceis, mais rápidos e mais baratos. A melhor forma de conseguir este diferencial é através da tecnologia, pois somente ela permite uma redução dos custos e um crescimento de escala exponencial.

Se trata de uma nova maneira de “fazer negócios”, tanto dentro da em­presa quanto em relação ao mercado. Como todas nova atividade estratégica as iniciativas de transformação digital pre­ci­sam ser constantemente revisadas e avaliadas. A aceitação de novas tecno­logias, novos procedimentos e novas formas organizacionais pela corporação é uma área chave que requer monito­ramento contínuo e se necessário ajuste rápido. Desta forma, o gerenciamento de mudanças é essencial, a transformação digital é realmente sobre pessoas! Por esta razão, uma genuína abertura e inte­resse em direção à tecnologia e inovação é crucial dentro para o sucesso da transformação digital. As funções de tecnologia possuem o conhecimento tec­no­lógico e know-how, mas uma com­preensão sólida das implicações e os bene­fícios da tecnologia em torno de cada função da empresa é a chave para garantir o sucesso.

O “capital humano” será de fato a ___

real vantagem competitiva que as em­presas podem conquistar daqui para frente. O sucesso da organização depen­derá do grau de liderança de que cada funcionário assumirá na responsa­bili­dade pelos resultados. O objetivo da pre­paração é desenvolver prontidão para o inesperado, e não apenas para executar um plano definido. Em uma era de ruptura, os líderes de negócios e RH’s estão sendo pressionados a reescrever as regras de como eles organizam, recru­tam, desenvolvem, gerenciam e engajam a força de trabalho daqui para frente.

Todo trabalho sem qualificação será substituído, na verdade é que com o tempo, algumas funções realmente serão completamente automatizadas, o que vai ser ótimo! Gosto de dizer que aquilo que é digno da máquina é indigno para o ser humano. Trabalhos que envolvem rotinas, aquilo que é considerado repeti­tivo, cansativo e insalubre será mais afetado. Mas não se assuste que também trabalhos de ordem cognitiva serão também automatizados. Já vejo IA sendo usada para análise de crédito, sistemas de segurança automatizados com reco­nhecimento facial e até perceção de atitudes suspeitas, o chatbot já domina sistema de cobrança e apoio a usuários no lugar do tradicional contact center, faz até abertura de conta, em todas a áreas podemos achar exemplos: na medicina fazendo diagnóstico, no direito estruturando teses e na área inves­timentos, robôs já tomaram o lugar dos analistas mais bem preparados. Uma máquina pode armazenar quantidades incomensuráveis de dados, buscar por novos e ainda produzir relatórios com velocidade má­xima e falhas mínimas.

Mas não pode tomar decisão em cima

deles porque não tem a noção de prioridade que nós, humanos, temos. Uma máquina dificil­mente motivará colaboradores ou cons­tru­irá empatia com clientes. Este é o seu papel como gestor! As novas tecnologias e os robôs colaborativos surgiram para coexistir com o operário e não tomar o seu lugar. Os profissionais terão que entender o que as novas tecnologias tra­zem de novo, identificar os novos paradigmas criados por elas, saber apro­veitar seus benefícios e trabalhar junto com as facilidades que elas propor­cionam.

Na transformação digital o RH terá um papel único a desempenhar: ele pode ajudar líderes e organizações a se adap­tarem à tecnologia, ajudar as pessoas a se adaptarem a novos modelos de trabalho e carreiras e a ajudar a empresa como um todo a se adaptar e estimular mudanças na sociedade, regulamentação e políticas. De agora em diante, os gestores mais brilhantes serão aqueles que fazem diferença na organização dando seu to­que de humanidade. Com algoritmos desempenhando tarefas burocráticas e repetitivas, mas obrigatórias, as pessoas terão espaço para aperfeiçoar seus insights. Colaboradores melhorarão sua produtividade e, gestores, o controle de equipe. A gestão humana, agora, se dife­renciará da máquina por ser aberta às diferenças, consciente de que existem virtudes e defeitos em cada indivíduo, por conviver bem com opiniões diver­gentes, conciliar discussões, trabalhar para envolver a organização sob um propósito e estimular a equipe a desenvo­lver sua própria capacidade de liderança e inovação.___

É ainda difícil dizer quais serão as competências no futuro que farão a ____



diferença no mercado de trabalho, mas vou arriscar algumas aqui: 

FLUÊNCIA DIGITAL: a tendência no mundo é a digitalização e a desmate­rialização, é importante saber o que fazer com as novas tecnologias, e não apenas operá-las, significa tomar decisões inteli­gentes para usar as tecnologias a seu favor, aumentando sua produtividade e desempenho. 

EMPATIA: é a sua capacidade de se colocar no lugar do outro, imaginando como este se sente sem julgamentos. Esta habilidade lhe permitirá ouvir com entendimento, não descartando os pensamentos, sentimentos e ideias de outras pessoas. 

RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS COMPLEXOS: é a capacidade de reco­nhecer o problema atrás do problema, de olhar para um questão sob diferentes perspetivas e de criar estratégias efeti­vas para resolver situações novas e mal definidas em cenários complexos do mundo real, lhe diferenciará no mercado de trabalho. 

COLABORAÇÃO: com o crescimento do trabalho remoto e do movimento officeless, a habilidade de trabalhar de forma produtiva, participativa e colabo­rativa em equipes virtuais será desejada.

SENSEMAKING: na era do big data e o excesso de conteúdo, você precisará ter habilidade de lidar com fragmentos de informações, ler sinais, entender pistas verbais e não verbais, conectar todos estes dados, traduzir e criar sentido, ou seja, gerar significado e insight únicos e criativos para tomada de decisões asser­tivas. 

LIDERANÇA E INFLUÊNCIA SOCIAL: os novos tempos exigem uma estrutura de liderança participativa e mais colaborativa em que o líder exerce influência em confiança e inspiração. Esse novo líder considera que todas as pessoas podem contribuir e de alguma forma e envolve todas elas profunda­mente para que os processos de mudança sejam fluidos e mais eficazes. ____ 

RESILIÊNCIA: conceito emprestado da física que significa que sua capacidade de superar obstáculos e pressões, bem como de ser flexível para a adaptar as mudanças e situações adversas. É reagir positivamente aos problemas sem entrar em conflito psicológico ou emocional.

Para se manterem competitivas, as empresas precisam adotar um modelo organizacional baseado em equipe, no qual os funcionários podem se mover facilmente entre diferentes projetos e compartilhar informações com eficiência.

As organizações precisam fazer do “aprendizado contínuo” um pilar de seus modelos de carreira.

Criar uma marca empregadora atraente e uma experiência positiva do funcionário é crucial para que as empresas atraiam e retenham talentos.

Vivemos a era do EVP (Employee Value Proposition). Em uma era digital,



os departamentos de RH precisam assu­mir um papel mais amplo, liderando a transformação digital da organização e gerenciando as plataformas digitais dos funcionários.

Antecipar como a automação e a computação cognitiva mudam as funções do trabalho e os requisitos da força de trabalho podem colocar sua organização em uma posição melhor para navegar essas forças potencialmente destrutivas.

Reformule os programas de gerencia­mento de desempenho, coloque mais ênfase no “feedback contínuo”, e coaching regulares para aumentar a produtividade e melhorar o engajamento dos funcionários. O RH precisa tornar a diversidade e a inclusão uma prioridade nos níveis mais altos da organização, a capacidade de uma organização de cons­truir uma força de trabalho verdadei­ramente diversificada em todos os níveis aumentará sua imagem pública, bem como sua capacidade de atrair talentos e motivar a força de trabalho. À medida que as organizações se tornam mais fluidas e orientadas para a equipe, os líderes precisam ser qualificados para liderar equipes diversas e trabalhar em disciplinas e funções de negócios para impulsionar a inovação.  

Será aquele líder que conseguir criar uma cultura de dono! Quando falamos em cultura de dono, estamos falando: 1) sentido de propósito, 2) autonomia e 3) responsabilidade pelo resultado. A base para este processo é a segurança psicológica. O líder precisa liderar com confiança.

As empresas investem os CEOs com autoridade singular para enfrentar _____


desafios de alto risco e tomar decisões difíceis. No entanto, em grande medida, seu poder depende da disposição das partes interessadas da empresa para ceder a eles. Em outras palavras, depende muito da confiança das partes interessadas. Líderes que violam essa confiança logo se veem destituídos. Alguns líderes ainda criam uma atmosfera tóxica nas organizações, liderando pelo medo!! 

Organizações ágeis são executadas em equipes autônomas e alinhadas. Assim, os líderes ágeis são responsáveis por alinhar a empresa em torno de seu "o quê" e "por que" - e, em seguida, "deixar ir". Uma dica: considere se mudar do escritório de canto para uma mesa compartilhada e acessível para enviar uma mensagem de trabalho em equipe!!

­As empresas só se beneficiarão dos conjuntos de habilidades dos funci­onários se corresponderem à cultura. Comportamentos como “colaboração, curi­o­sidade, flexibilidade, trabalho em equipe e disposição para arriscar e aprender” são tão importantes quanto a habilidade técnica.

Algumas empresas constroem equi­pes em torno do comportamento primei­ro e, em seguida, know-how e habili­dades.  



Substitua qualquer um que não possa ou não evolua com sua cultura!


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