30 de Dezembro de 2020









ANTÓNIO NOGUEIRA DA COSTA

CEO da efconsulting |  docente e membro do N2i do IPMaia


Fotografias D.R.


2020: O ANO DO IMPOSSÍVEL.


O que diríamos em dezembro de 2019 se um qualquer profeta, qual prof. Zandinga , tivesse anunciado que as suas previsões para o ano de 2020 prenunciavam que:


  • Teríamos fronteiras fechadas e restrições de movimentação: entre países, regionais, intermunicipais, … IMPOSSÍVEL!!!
  • As atividades desportivas seriam interrompidas: jogos sem espetadores, jogos olímpicos adiados, … IMPOSSÍVEL!!!
  • Não haveria comemoração de festividades: feiras e festivais, aniversários e casamentos, Natal, passagem de ano, … IMPOSSÍVEL!!!
  • Seriam batidos recordes mínimos do século: de carícias, de abraços, de beijos, … IMPOSSÍVEL!!!

Quando o IMPOSSÍVEL!!! se concretizou, como reagimos?


Rompemos barreiras e elevamos a fasquia:

Ultrapassando prazos impossíveis

A celeridade do ciclo que vai da deteção de uma necessidade à sua satisfação, nunca mais será a mesma. Uma vacina tem um tempo médio de descoberta, teste e lançamento no mercado de cerca de 10 anos. No caso do Covid-19, as primeiras vacinas foram aprovadas e lançadas no mercado em menos de 10 meses.







Transformando ameaças em oportu­nidades

Alguns dias após a declaração do estado de emergência (18 março), a 360imprimir disponibilizou um conjunto de produtos para proteção pessoal e para as necessidades relacionadas com takeaway. Sérgio Vieira, CEO da empresa, afirmou em dezembro que a crise sanitária acelerou a mudança para a compra online de produtos customizados a preços reduzidos. Assim, a plataforma pretende assumir-se como uma facilita­dora para que os negócios possam recuperar de forma mais rápida. “O futuro passa por serem a "Amazon" na resposta às necessidades das PME de produtos customizados de merchan­dising, packaging, consumíveis, etc.”

Substituindo a proximidade física pela telepresença

A relação médico paciente sempre foi suportada numa relação de proximidade pessoal, considerada relevante e

“insu­bstituível”. Ainda não tinha chegado o final do mês de março e o Grupo Mello Saúde anunciava que, para salvaguardar doentes e profissionais, já estava dispo­nível um sistema de “teleconsulta” a partir do portal da Cuf. Reid Hoffman, cofundador do Linkedin, a 3 de dezem­bro, na web summit - realizada este ano somente via online -, salientava a oportu­nidade para as empresas de “telesaúde” que se dedicam a consultas online; “Não tenho de esperar na fila. É um exemplo de oportunidades que estão a surgir”. Com as escolas e universidades fechadas, o “telensino” também se implantou rapi­damente e não deixará de ser parte inte­grante do sistema de ensino no futuro.

Tolerando “hábitos inaceitáveis” e criando moda

A movimentação global de pessoas e suas culturas e hábitos, muitos deles ances­trais, originam estranhezas e até repú­dios. A estranheza da burka, hijab, niqab,… passou a ser relativizada com a introdução das máscaras que, rapida­mente, se transformaram em objeto de design e moda.

Enfrentando a adversidade com adaptabilidade e solidariedade

A pressão da forte procura mundial por equipamentos de proteção pessoal, em especial para o pessoal de primeira linha que estavam nos hospitais, centros de aúde, bombeiros, etc. promoveu a adaptação de muitas empresas da indústria nacional. Em poucos dias alteraram processos, conceberam máquinas e passaram a produzir viseiras, máscaras, líquidos, desinfetantes, etc.

que, numa primeira fase, geraram também uma enorme onda de solida­riedade com a oferta de muitos destes equipamentos ou materiais às entidades referenciadas e que deles estavam carenciadas. A 3 de abril, a Santa Casa da Misericórdia do Porto agradecia à empresa maiata, Ernesto São Simão, a oferta de viseiras aos hospitais da Prelada e Conde de Ferreira (em maio a empresa já tinha oferecido mais de 35.000 destes objetos de proteção).

Encarando a seriedade com humor

Em momentos difíceis a capacidade “humorífica”, por muito sórdida que possa parecer, auxilia a encarar e a enfrentar as adversidades. Em dezembro, com as restrições previstas para o Natal e Ano Novo, apareceu no mercado (e rapidamente esgotou) o vinho tinto monocasta Syrah de 2017 “Que se foda”, produzido na região de Lisboa. Uma marca positiva com intenção de gerar boa disposição, na compra, no consumo e na oferta e, como bem expressa o seu rótulo “Não se assuste com o nome. Que se foda é um vinho do caralho.” (fonte: https://quesefoda.online/our-story) 


Não tenho dúvidas que que o ano 2020 vai ser recordado como o ano do “IMPOSSÍVEL” e o ano da afirmação da enorme capacidade dos humanos para testarem os limites impensáveis e para encontrarem soluções ágeis de rápida adaptação e luta pela sobrevivência. E as minhas previsões para 2021, e anos seguintes, são da confirmação desta contínua tendência da humanidade para evoluir a empreender com agilidade.



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