31 de Dezembro de 2020









ALEXANDRA O'NEIL

Co-Founder and Manager of SATT Aviation


Fotografias D.R.


A viagem do ano de 2020


Chegando ao último mês do ano de 2020, somos naturalmente tentados a sobrevoar os acontecimentos e experiências, tentando avaliar e tirar lições para próximas viagens.




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uase em modo de debriefing, talvez caracte­ri­zemos a viagem do ano de 2020 como desa­fiante, de exi­gên­­cias redobradas, mas também de oportu­nidades de aprendi­zagem e aperfei­çoamento singulares e acrescidas. Tal como antes de qualquer voo se deve efetuar a sua meticulosa preparação, mitigando riscos e antecipando cenários, talvez todos nós, como humanidade ou sociedade, como organizações, tecido empresarial e político, devêssemos ter antecipado o risco e mitigado o mesmo através de cenários talvez demasiado prováveis.

Recordando a descolagem, iniciámos o nosso voo com a pretensão e talvez mesmo presunção, de que tudo é cíclico e garantido, que a liberdade conquistada pela nossa história é inegável, e não incalculavelmente frágil e efémera, como na realidade o aprendemos.







Partimos para a nossa viagem de 2020 confiantes e despreocupados com os aspetos fundamentais da nossa sobrevivência e mesmo felicidade, descu­rando o essencial papel da proxi­midade, do sorriso e do abraço. Continuámos pelos primeiros pontos significativos da nossa rota ignorando sinais evidentes da fragilidade global, considerando que na nossa eterna segurança nos direitos adquiridos, e perspetiva de futuro certo e perfei­tamente antecipável, teríamos somente de nos preocupar com cumprir com os planos estrategicamente defi­nidos com adaptações e visões estabe­lecidas. Considerámo-nos flexíveis, moldáveis e disruptivos quando ainda nada sabíamos sobre a verdadeira clivagem que a necessidade efetiva nos pode trazer.


E assim, enquanto avançávamos, percebemos que afinal, temos efetivamente de ter consciência situacional, neste mundo global. Que não somos invencíveis, independentes e autónomos, que somos parte de uma frágil engrenagem que nos pode limitar no que consideramos como o mais essencial.

Nesta fase de aproximação, mesmo sem pista à vista, confiamos na nossa experiência e conhecimento para nos ____



      apoiar na efetivação de uma aterragem segura, que nos permita acreditar em viagens futuras. Aprendemos assim de forma forçada e acelerada o que efetivamente é relevante para chegar ao nosso destino, e também o que realmente nos move para o alcançar. 


      Futuras viagens apenas serão possíveis para quem assim o faça.



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