8 de Novembro de 2020









MÁRIO CASTRO MARQUES

Consultor especialista em proteção da Inovação | Agente Oficial da Propriedade Industrial


Fotografias D.R.


Da Inovação à proteção


Uma corrida com desafios, barreiras e paragens, em que, no final, alguns podem ter o seu prémio!



Nos tempos em que vivemos, a questão da proteção é uma questão básica e, ao mesmo tempo, mui­­to complexa. É natural nos prote­germos dos riscos e intempéries da natureza. Ninguém gosta de se sentir desamparado e totalmente à mercê daquilo que nos rodeia. O sentimento de proteção é inato ao ser humano.

Com a pandemia, este sentimento é sentido amiúde e de forma agudizada. A proteção contra um vírus invisível ao olho humano, preocupa e perturba o status quo humano.







E, assim, a procura de soluções para proteção contra o vírus, presentes e futuras, tem dinamizado a corrida global generalizada, com destaque mediático para as empresas de investigação e de­sen­volvimento de vacinas contra o vírus.

O presente desafio para a sociedade e as empresas é grande, mas também é uma janela de oportunidades. A par disto, há um elevado esforço colectivo e individual, que está a ser empregue, com investimentos estatais e empresariais avultados. O interesse colectivo é, sem dúvida, proteger a saúde de todos e retomar a actividade económica geral, com um distanciamento para proteção de todos.

Sem actividade, a sobrevivência de muitos é posta em causa. Mas, sem proteção da saúde, todos são afectados e prejudicados, desde os mais frágeis, naturalmente, até àqueles que até podem estar imunes, mas que não vivem isolados num oásis, pois estão em sociedade. Um dilema que se tenta conciliar de forma difícil mas premente.

Para proteger a saúde pública a curto prazo, muitos estados têm participado na corrida pela inovação, contratando possíveis vacinas com algumas empresas/corredoras internacionais, que





investigam e testam possíveis soluções, com um empenho apreciável, mas cuja demora é expectável e razoável.

Entretanto, outras empresas/corredoras participam, à sua maneira, nesta corrida global pela inovação, investigando e criando soluções geradoras de produtos e serviços que respondam às necessidades básicas diárias de proteção e de contacto entre os cidadãos.

Uma coisa é certa, indepen­dentemente dos motivos e causas que estão na origem da presente situação pandémica, esta irá ser ultrapassada, embora não se consiga prever a sua duração. No entanto, a corrida pela inovação sempre continuou, mesmo nestes tempos de pandemia, tendo-se observado inúmeras inovações pontuais para responder a situações especificas. E irá aumentar à medida em que as empresas/corredoras se adaptam às novas circunstâncias, pois esta corrida é fundamental para as empresas, sendo o motor do nosso desenvolvimento colectivo.




        Muitas empresas/corredoras prepa­ram já o pós-pandemia - apesar das naturais incertezas. Mas o risco é um factor inelutável à vida e às empresas e que pode e deve ser mitigado com uma estratégia adequada. Apostar na inovação é, sim, essencial para que não fiquem, irremediavelmente, para trás nesta corrida.

        Com certeza, que existem empresas/corredoras que estão abraços com muitas dificuldades de sobreviver nesta corrida, parando para recuperar ou andando mais lentamente, mas vêm os seus concorrentes distanciarem-se cada vez mais.

        Tal como na vida, na corrida pela inovação, todos temos as nossas capacidades, objectivos e diferenças, assumindo a liderança do pelotão aqueles que conseguem estar melhores, num certo momento da corrida, havendo sempre o risco de serem ultrapassados. Mas aqueles que lideram o pelotão, irão continuar a inovar, sem olhar para os que ficam para trás - uma realidade crua e dura.


        Os efeitos desta pandemia são tais que, como alguém já disse, muitas coisas não serão como dantes. E a necessidade de adaptação é também um factor promotor da inovação. A preocupação central de proteção da saúde não se irá desvanecer, mas outras também existem muito importantes, como a proteção do ambiente, da flora e fauna e da própria sobrevivência da espécie humana, cada vez mais ameaçadas.




        E a corrida continuará, portanto, com muitos obstáculos, desafios e objectivos. É uma ultramaratona, com muitas etapas, e cuja meta final ainda não se vis­lum­bra, em que alguns vão abando­nando, mas em que novos participantes vão surgindo.

        Quanto às empresas e apesar das hercúleas dificuldades por que passa a maioria dos sectores para sobreviver - com as devidas excepções de algumas áreas como é o caso, por exemplo, da área alimentar, da saúde, das comuni­cações, construção e dos velocí­pedes, em que a procura cresceu na fase pandémica - entramos já numa etapa em que o percurso é propício a oportunidades, mas que requerem atenção e aposta na inovação com uma estratégia adequada.

        Nesta corrida, algumas empresas portuguesas têm tomado a dianteira do pelotão, nomeadamente fabricando ventiladores, máscaras e equipamentos antivirais, e muitos outros produtos que estão a ser concebidos com soluções inovadoras para proteger a saúde das pessoas e o ambiente, nomeadamente na robótica, na inteligência artificial e mesmo no mobiliário.


















        E é importante observar que a questão da proteção destes produtos inovadores tem estado, na maior parte dos casos, em cima da mesa. Pois, a inovação - não protegida -, pode ser livremente utilizada por todos e, mais do que isso, pela concorrência. E quando o investimento foi grande, muitas empre­sas já sentiram na pele o quão desagra­dável e prejudicial é, tendo divulgado a sua inovação desprotegida, e verem depois as outras a copiarem e benefici­arem, ganhando-lhes no mer­cado.

        Nos nossos dias, inovar exige muito esforço, trabalho e criatividade e, portanto, é razoável que as empresas, que inovam, tentem depois obter os devidos benefícios para pagarem aqueles investimentos, despesas e perdas que têm tido até agora - num mercado cada vez mais desgastante e agreste.

        Com efeito, a Inovação é como uma borboleta que, depois de ser libertada, dificilmente volta a ser apanhada. Na maior parte dos casos, a Inovação trás os seus benefícios para a sociedade em geral, para os consumidores e para os demais agentes económicos. A questão essencial é o de saber até que ponto quem inovou irá ter também os benefícios legítimos do seu acto criativo.

        Se não se protegeu – o que é perfeita­mente legítimo – o inovador/corredor dificilmente terá aquele retorno, dado estar numa posição desgastada e frágil no pelotão, em que poderá ver os outros adversários, que pouco se cansaram no investimento, e que terão mais energias financeiras para assumirem uma posição de liderança no pelotão da corrida. 

          Se se protegeu previamente, terá uma situação diferente no pelotão, encon­trando-se numa posição reforçada, com um exclusivo, que lhe permitirá impedir que os concorrentes usem o seu esforço em proveito alheio.

          Como tudo na vida, também na corrida do mercado, tudo dependerá de escolhas e estratégias próprias na preparação e treinos prévios. Ir para a corrida do mercado sem qualquer prepa­ração, será seguramente uma corrida inglória e solitária em que poucos frutos e prémios irá colher no final.

          Numa competição como a actual, os melhor preparados, protegidos, e com as melhores estratégias de corrida, serão aqueles que alcançarão os prémios alme­jados no mercado hodierno. As vitórias morais, actualmente, são clara­mente insatisfatórias para a generalidade dos competidores, a poucos servindo de recompensa.

          Por conseguinte, cada empresa competidora delinea a sua própria estra­tégia de acordo com as suas ambições, capacidades e objectivos, protegendo e preparando-se para ir para um mercado extremamente competitivo, onde corre­rão à procura de sucesso com os seus produtos e serviços, jogando com as suas diferenças e exclusivos que os distingue dos concorrentes, em face dos consumi­dores, que se mostram ser cada vez mais exigentes nas suas necessidades e nas suas prefe­rên­cias, e que são afinal de tudo os melhores prémios e que estão apenas ao alcance de alguns.





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