31 de Outubro de 2020





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PEDRO AMENDOEIRA

Partner na Expense Reduction Analysts


Fotografias D.R.



Eu sou o melhor


94% dos professores universitários julgam-se superiores aos seus colegas.1 

87% de alunos de MBA qualificam-se como acima da média. 2 

80% dos condutores acha-se melhor que a média.

25% de estudantes acham que fazem parte do top 1% em capacidades de liderança.

 


E

stes números decorrem de estudos diferentes, feitos por universidades reputadas. Baseados nou­tros estudos, podemos alargar muito mais a lista de campos onde nos julgamos melhores que a generalidade dos demais: saúde, feli­cidade, memória, popularidade, relaci­o­namentos, inteligência, trading de ações, etc.

Chama-se a este fenómeno “Superioridade Ilusória” e é prevalente em nós, humanos (sobretudo nos ocidentais), definido como “viés cognitivo em que uma pessoa superestima suas próprias qualidades e habilidades, em relação às mesmas qualidades e habilidades de outras pessoas”. Curiosamente, um dos seus efeitos é que também julguemos que, ao contrário dos demais, somos menos suscetíveis a este e outros vieses.

A Superioridade Ilusória, sendo muito humana, é também muito limitadora: se 94% dos professores se acham melhores que a média, qual o seu incentivo para aprender e melhorar?

Infelizmente não tenho estudos que o suportem, mas sinto-me bastante seguro ao dizer que em relação à gestão de custos nas empresas, este viés está bem presente. Quase todos os gestores e empresários acham que a sua empresa é melhor que a média no controlo de custos e que os têm bem controlados.

Como nos números pelos quais comecei, é óbvio que não podem estar todos corretos.

Não pode ser certo que todas as empresas sejam fantásticas a gerir custos e melhores que as demais. A verdade é _____

que, paradoxalmente, quanto mais convencidos estamos da nossa superi­oridade, piores somos, pois menos capazes de aprender e melhorar. A minha experiência diz-me que quanto maior a segurança que o gestor tem que “aqui temos os custos muito controlados”, mais oportunidades de melhoria existem.

Para contrariar este viés - que todos temos - o melhor seria questionarmo-nos:


  1. Quais são as áreas em que estou mais certo da minha/nossa superioridade?  
  2. DENTRE ESTAS, QUAIS AQUELAS EM QUE, SE NÃO ESTIVER CERTO (COMO É PROVÁVEL) MAIS ME PODEM ESTAR A CUSTAR
  3. ASSUMINDO QUE AFINAL SOU FRACO NESSAS ÁREAS, COMO POSSO MELHORAR?

É difícil? Muito, estamos a pôr em causa a imagem que temos de nós próprios e das nossas organizações. 

É importante? Extremamente. Pode permitir dar um salto quântico aos nossos resultados. Se todos os momentos são bons para fazer esta reflexão, o atual é ideal. É sabido que nas crises residem oportunidades, os mais bem preparados aproveitá-las-ão melhor. 

 Quais são as áreas em que acha que “eu sou o melhor”? Preparado para pôr em causa essa assunção?


1 Cross, K. Patricia (Spring 1977). "Not Can But Will College Teachers Be Improved?". New Directions for Higher Education.

 2 "It's Academic." 2000. Stanford GSB Reporter, 24 April, pp.14–5. via Zuckerman, Ezra W.; Jost, John T. (2001). "What Makes You Think You're So Popular? Self Evaluation Maintenance and the Subjective Side of the "Friendship Paradox"" 

 3 Svenson, Ola (February 1981). "Are We All Less Risky and More Skillful Than Our Fellow Drivers?". Acta Psychologica. 

 4 Alicke, Mark D.; Govorun, Olesya (2005). "The Better-Than-Average Effect". In Alicke, Mark D.; David A. Dunning; Joachim I. Krueger (eds.). The Self in Social Judgment. Studies in Self and Identity. Psychology Press. pp. 85–106.


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