31 de Dezembro de 2018





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HUGO GONÇALVES

Executive Coach | Senior Organizational Engineer 

Blogger @ www.knowmad.pt

Fotografias D.R.


De Leader Sapiens a Leader 

Conscious


Nestes últimos meses tenho estado a trabalhar num projeto global de indução / capacitação de metodologias do Design Thinking e Criatividade, para um conjunto de empresas ligadas ao sector das farmácias, em várias áreas de atividade – TIs, Distribuição, Estudos de Mercado e Investigação, as Farmácias em si, etc.

 





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endo o Design Thinking o mote, em todos os grupos com que trabalhei surgiram de forma bastan­te orgânica (e muito bem) outros temas como Lide­ran­ça, Gestão de Equipas, Cultura Organi­zacional, Foco no Cliente e Sinergias entre equipas multi­dis­ci­pli­nares.

Ao fazermos o debrifing das sessões de trabalho, existiram, entre centenas de participantes, alguns feedbacks comuns. 

Tendo em conta o público que participou nesses workshops e ________

projetos – diretores, team leaders e gestores – fiquei surpreendido e agradado com uma das ideias chave que foi partilhada por muitos. Foi algo do género:


"Para conseguir colocar em prática isto, tenho que me reinventar como pessoa e profissional. Tenho que estar mais abert@, paciente, com escuta ativa e curiosidade genuína pelos outros ao mesmo tempo que tenho que manter regularmente reuniões comigo própri@.




Escolher quais as competências técnicas, relacionais e emocionais de cada um dos meus pares e colegas e assim criar o melhor puzzle para determinado projeto, desafio e oportunidade".


Fiquei muito contente porque não é assim muito fácil ter esta clarividência no dia-a-dia. Acho que estive perante alguns Leader Conscious, uma nova espécie. Segundo a sequência que me é cara a nível de desenvolvimento Humano e Organizacional – Consciência, Transformação, Ação – para se conseguir navegar nestas novas dinâmicas temos que adquirir uma nova valência e competência – a Auto Liderança ou Self Leadership. Temos que evoluir como espécie. Do Leader Sapiens para o Leader Conscious. Ser Leader Conscious e Gestor nos dias que correm é uma verdadeira osmose de paradoxos:


Atividade / Contexto solitário onde muitas vezes é complicado refletirmos sozinhos sobre assuntos importantes; 


Interações coletivas muito dinâmicas e voláteis a partir do momento que interagirmos com as nossas equipas, pares, clientes e fornecedores externos e internos.


Cada vez mais o que um Líder e Gestor “gere” são Prioridades, Energia, Sonhos, Possibilidades, Interações, Comunicação, individuais e da equipa.


Partilho aqui os traços que considero interessantes para podermos ser owners do nosso Self Leadership:


Curiosidade


Apesar de te conheceres há (coloca aqui a sua idade) anos, eu arrisco a dizer que ainda és um mistério para ti própri@. Camadas de crenças, feedbacks, preconceitos e discurso interno criaram uma perceção muitas vezes não próxima da realidade de quem nós realmente somos. Nós não somos a nossa mente. Somos as nossas ações, palavras e a essência que lhes dá vida. A curiosidade impele-nos a descobrir a nossa verdadeira natureza e registo.


Honestidade


A auto honestidade – também denominada integridade – é complexa. Para conseguirmos ser Conscious Leaders a honestidade sobre o que vemos e descobrimos sobre nós próprios é fundamental. Salpicada de bondade, pois muita coisa do que surge nesta autoconsciência é complexa e difícil de aceitar. Perceber, sem filtros ou julgamentos, quais as motivações ou eventos que levaram ao de que gostamos e ao que não gostamos chama-se “As Is”. Apenas isso.


Accountability


Somos responsáveis pelos nossos pensamentos, emoções, comportamentos e ações. Significa que ao assumirmos as ações para transformarmo-nos em algo diferente, estamos a escrever o nosso guião do processo de evolução. Sem accountability não existe crescimento e transformação.


Auto Disciplina


É importante gerir os nossos estados emocionais e mentais de forma a podermos identificar o que realmente é importante, tomar melhores decisões, agir de forma objetiva e gerir a nossa equipa no caminho adequado. Esta força de vontade pessoal é identificada por muitos autores como sendo uma caraterística de guerrilha benéfica. Falo aqui também de autoregulação.


Humildade


A nossa inteligência emocional desenvolve-se e ficamos mais conscientes das nossas próprias tensões, paradoxos e ambiguidades. Observar de forma neutra todos esses “conflitos”, aceitá-los numa primeira fase e definir ações para a transformação é fundamental. Não conhecemos todas as respostas. Não controlamos nada, por muito que pensemos que sim. Humildade.


Coragem


Olhar de frente para todas estas coisas, aceitar e estar mais perto de uma visão mais realista de nós – com as coisas boas e menos boas – e querer fazer e atuar sobre isso implica Coragem.


Auto Compaixão


No caso da Self Leadership, significa sermos os nossos melhores amigos. Não é sermos complacentes e desculparmo-nos com o destino e a nossa suposta incapacidade mas sim retirar dos nossos hábitos as autocríticas, a linguagem agressiva e confiar nas nossas capacidades e intuição para encontrar o caminho que nos leve a um registo _______________________

diferente.


Assertividade


A verdadeira Assertividade e Equilíbrio está entre a passividade e agressividade. Entre a raiva e a serenidade. Vi esta frase no filme X-Men First Class – o que valida a minha paixão pelas Realidades Laterais.


“Loucura pelo Risco”


Para conseguirmos transformar as nossa capacidades de Self Leadership, é necessário alguma dose de risco, aventura e confiar que essa transformação irá por um lado levar-nos para novas zonas de desconforto, mas que isso irá trazer novas aprendizagens e evoluções pessoais e professionals.


Convicção e Esperança


Aqui, trata-se de colocar o ownership da nossa evolução e transformação em nós e não nos outros. Isto implica ter uma clareza de valores e competências que juntamente com o que intuímos ser o caminho adequado a trilhar, irão criar a energia e a vontade de agir.


Como disse Reinhold Niebuhr:




“Que eu possa ter a Serenidade necessária para aceitar as coisas que eu não posso modificar. A Coragem para modificar aquelas que eu posso e a Sabedoria para distinguir uma das outras. Vivendo um dia de cada vez;”



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