A tecnologia depois do Covid-19

Há quase 10 anos, uma linha aérea regional na Coreia do Sul deparou-se com graves problemas financeiros no decréscimo dos voos na sua ponte aérea entre a capital Seul situada no norte e a segunda maior cidade do país Busan no extremo sul da península.

Rui Pedro Oliveira
1 de Maio de 2020

Não havia razão aparente para tal situação repentina, pois não tinha nascido qualquer outra linha aérea concorrente, não havia uma ligação ferroviária de alta velocidade entre as duas metrópoles. Havia um concorrente invisível.

Esse concorrente nasceu em 2003 por obra de dois engenheiros americanos que em 2005 venderam a mesma ferramenta à E-Bay e que a Microsoft adquiriu e disparou com sucesso em 2011, como a plataforma de videoconferência mais acessível a todo o mundo chamada Skype.

Os executivos não precisavam de percorrer esses 325 Km que distam as duas cidades para reunirem pagando imensos “Won’s” nas viagens aéreas, e passaram a reunir via Skype gratuitamente, em vez de o fazerem presencialmente.

Sabemos que em tempos de “guerra” é quando proliferam os maiores avanços tecnológicos da humanidade. Da aceleração da investigação médica, ao desenvolvimento das telecomunicações, da geo-localização ao micro-ondas que todos temos em casa por causa de um chocolate que um soldado tinha guardado no bolso, entre muitos outros exemplos.

Se há dois meses em Portugal, as palavras FaceTime, WhatsApp vídeo, Microsoft Teams, Google Hangout, Zoom, Cisco WebEx, entre outros só eram conhecidos nos parâmetros empresariais, hoje em dia, uma vasta população portuguesa começou rapidamente a saber utilizar essas ferramentas, por forma a exemplarmente ter feito na sua maioria um confinamento decretado nos seus lares e poderem comunicar entre avós e netos, amigos e amigos, país e filhos, todos eles separados pela distância física imposta, nem que distassem num raio de um quilometro.

Compras na internet disparam, bancários com sistemas instalados em casa com a maior segurança de dados, reuniões virtuais empresariais diárias nas suas habitações, televisão presente à nossa frente com debates frequentes dos protagonistas cada um no seu espaço, alunos ligados ao computador nas horas devidas por cada instituição de ensino para aprenderem e cumprirem horários.

Tudo isto mudou, ninguém há três meses atrás imaginaria um cenário destes.

Este inimigo invisível malicioso aos humanos, fez o que todos tentavam há anos em milhares de cimeiras e debates com que as condições climáticas florescerem exponencialmente em poucos meses.

Há paradigmas inexplicáveis neste milénio.

Não deixa de ser Dantesco para o povo mediterrânico.

Um povo que gosta de afetos, de conviver, de estar junto. Está no nosso ADN.

Na minha opinião, muitas aprendizagem vamos tirar do uso destas tecnologias a nível pessoal e profissional e vamos adota-las.

Finalmente alguns empresários chegarão à conclusão que “picar o ponto” não será a solução, mas como referi, somos um povo latino e que por vezes nos damos à distração facilmente e nem todos os sectores económicos vivem deste género de trabalho, vindo aí inevitavelmente momentos de aflição económica para muitos, infelizmente, até porque um merceeiro, um dono de um quiosque entre muitos outros não podem rentabilizar o seu negócio com estes meios.

Mas hão-se lembrar que não podemos facilitar em nada e que nada da nossa nova geração alguma vez previa, que num espaço de meros meses a tal concorrência invisível que referi no início pode mudar os planos de todos para um futuro incerto para sempre.

Aproveitemos o que a ciência nos dá, a aprendizagem destes meses e que valorizemos muito mais que tudo é efémero e na vida e no universo, tudo pode mudar num “click” de um segundo. Temos que voltar aos abraços e convívio social rapidamente, por nós e pela economia que também muito mata, sem descurar que muito devemos à ciência e tecnologia os momentos mais positivos agora passados juntos, sem nunca esquecer o que infelizmente as mesmas não puderam fazer por tantos que pereceram e sofreram com tudo isto que o planeta azul viveu.

A não esquecer e a não reviver este pesadelo. Que sempre que tenhamos alguma atitude ou dúvida de como atuar com outrem, tenhamos a capacidade de ter em mente o que invisivelmente pode mudar o mundo e as nossas vidas de um dia para o outro.

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