Erros que podem afetar a sua imagem

Todos erramos – “errar é humano”.

José Ribeiro
1 de Março de 2020

É muitas vezes desta maneira que aprendemos! Por isso, sempre que cometemos um erro, devemos fazer um esforço para o corrigir, de modo que não se torne habitual. Porém, quando o hábito se instala, o erro acaba por ser percebido como familiar, parecendo ser a forma correta. E tal como a mentira que, por tantas vezes ser repetida, se torna “verdade”, o erro pode seguir um percurso idêntico. Neste estádio, a sua identificação torna-se muito difícil para quem o comete… E se o número de infratores aumenta, o erro vai-se generalizando, acabando até, no limite, por ser aceite como a forma aconselhável e correta.

Todos erram, mas ninguém aceita os erros alheios. (Sid Aguiar)

Quando erramos, mas detetamos a falha ou alguém nos alerta, temos muitas vezes a tendência para arranjar desculpas ou justificações – desde a simples distração até à atribuição (indevida) da culpa ao novo Acordo Ortográfico...
Posição diferente temos, normalmente, com os erros dos outros: são quase sempre inadmissíveis! 

Recordemos alguns mal-entendidos muito comuns:

1. Outrem | Outrém

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Justificação:   
Dado que “outrem” é uma palavra grave (a sílaba tónica é a penúltima), não é acentuada graficamente. Mas se, porventura, tivesse acento, este seria na sílaba tónica (“ou”), e nunca na última (“em”).
Este erro acontece, provavelmente, devido à semelhança de “outrem” com, por exemplo, “alguém”, “ninguém” ou “também”, que são palavras agudas e, como tal, devem ser acentuadas.

2. Sobre | Sob

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Justificação:   

“Sob” e “sobre” são palavras antónimas (têm significados contrários); mas, pelo facto de serem tão parecidas, conduzem muitas vezes a mal-entendidos e à troca de uma pela outra. “Sob” significa “por baixo de”, “debaixo de”, “subordinado a”, etc. (exemplos 1, 3 e 4).

“Sobre” significa “em cima de”, “por cima de” e “acima de”; ou seja, refere-se a algo que está numa posição superior (exemplo 2); mas também pode ter o sentido de “acerca de”, “a respeito de” (exemplo 5).


3. Há quem | Aquém | À quem

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Justificação

“Aquém de” significa “abaixo de” (exemplo 1) ou “antes de” (exemplo 3). “Há quem” (verbo haver + pronome relativo) equivale a “existe quem” (exemplo 2).
A expressão “à quem” não faz sentido; no entanto, devido à homofonia (o mesmo som), é muitas vezes utilizada, erradamente, em substituição tanto de “aquém” como de “há quem”.

4. Porque | Por que

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Justificação:   
Esta é uma dificuldade muito comum, acentuada pelo facto de a norma portuguesa não ser rigorosamente coincidente com a variante brasileira, nomeadamente na formulação de perguntas, como se verá a seguir.

“Porque” emprega-se:

  • Quando é conjunção causal (exemplo 1);
  • Quando é advérbio interrogativo, tanto nas orações interrogativas diretas (exemplos 4 e 6) como nas indiretas (exemplo 7). Na variante brasileira do português usa-se “por que” nestes casos.

“Por que” utiliza-se:

  • Quando “por” é preposição e “que” é pronome relativo, equivalendo a “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais”, “pelas quais” (exemplo 3). Nestes casos, o nome (substantivo) a que o “que” se refere está quase sempre presente (“artigo” no exemplo 3);
  • Quando “por” é preposição e “que” é pronome interrogativo adjunto, isto é, vem junto de um nome (exemplos 2 e 5: “caminhos” e “motivo”, respetivamente);
  • Quando “por” é preposição e “que” é pronome interrogativo; por exemplo, «Por que esperas?» (= «Por que coisa esperas?»; «Que coisa esperas?»)

Uma maneira expedita de saber que forma usar consiste em substituí-la por “por/pelo(a) qual” ou “por/pelos(as) quais”: se fizer sentido, a forma correta é “por que”; senão, é “porque”.


5. Mais bem | Melhor 

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Justificação:  

“Melhor”, como comparativo de “bem”, pode utilizar-se como modificador de um verbo (exemplo 5). Porém, antes de um particípio passado, utiliza-se “mais bem” e não “melhor” (exemplos 1, 2, 4). No entanto, depois do particípio passado usa-se a forma sintética “melhor” (exemplo 3).  Tudo o que se disse aplica-se de igual modo a “pior / mais mal”. 


Estes são apenas alguns dos erros que se cometem com alguma frequência, designadamente em ambiente empresarial, e que podem afetar a imagem e a credibilidade de quem os comete e da própria empresa.

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