Empreender e abrir uma Empresa: Ver, Sentir, Participar e Fazer o que o instinto indicar.

A capacidade de leitura, de compreensão e de invenção; associada a atitudes de iniciativa, de impulso e de “logo veremos” e todas devidamente condimentadas com um enorme instinto e grande capacidade de “desenrascanço”, transforma qualquer português num destemido empresário.

António Costa
1 de Fevereiro de 2020

O empreendedorismo é uma atitude que desponta em qualquer idade e tem subjacente duas grandes variáveis: a vontade de assumir riscos e o nível de loucura pessoal.

A capacidade para se assumir o risco de desenvolvimento de um negócio é, normalmente, preponderante nas idades mais jovens, onde “pouco ou nada” se tem a perder e, em idades mais avançadas, quando “não existe outra alternativa que não o gerar o próprio emprego” ou, por outro lado, quando o conforto profissional ou financeiro permite lançar o sonho de sempre.

Em Portugal a taxa de empreendedorismo entre os 25 e os 34 é idêntica à do intervalo entre os 45 e os 64 anos, ou seja, sensivelmente o dobro desta pela dimensão do intervalo etário (GEM – Global Entrepreneurship Monitor Portugal 2011; ISCTE-IUL e SPI).

No entanto, mais do que a quantidade, o relevante deve ser o sucesso do empreendedorismo. Contudo, segundo dados do INE e PORDATA, a taxa líquida de sobrevivência das empresas nacionais é reduzida, existindo períodos em que tem sido mesmo negativa (entre 2008 e 2012 a taxa de mortalidade suplantou significativamente a da natalidade). Entre 2006 e 2017, a taxa média de mortalidade das empresas foi:

  • Antes de fazer o 1º aniversário: 27%
  • Entre o 1º e o 2 ano de existência: 46%. 


Estes resultados levam à reflexão sobre qual o nível de loucura necessário alcançar para uma pessoa desejar transformar-se em empresária!

Sendo a variável “loucura” algo difícil de medir, quando associada ao empreendedorismo poderia aplicar-se um método simples - apresentar a candidatos a futuros empresários, aquando do desejo de constituição de uma empresa, os dados referentes à taxa de mortalidade das mesmas; depois, medir o número daqueles que desistem ou adiam a abertura da empresa e, posteriormente, correlacionar com as taxas de mortalidade nos anos em que tal experimento se verificasse.

Associada à morte de uma empresa está normalmente uma situação difícil em que fica o empresário. Se for jovem e dos que nada tinha a perder, provavelmente vai socorrer-se da família e amigos até conseguir um emprego. Nos casos das pessoas de “meia-idade”, que muitas vezes recorrem à antecipação de fundos de desemprego da Segurança Social, o que vão fazer para sobreviver? E a sua família?

Vamos empreender e constituir uma empresa?

O país necessita, e muito, da capacidade empreendedora das suas pessoas, mas a realidade e competitividade dos mercados é fria e deve ser tida em devido apreço.

O futuro empresário deve estar consciente dos riscos que vai assumir e, em especial, do que terá de enfrentar se o seu empreendimento fracassar.

A história permite concluir ser chegado o momento de se criar um “certificado de empresário” que administre e assegure a existência de um mínimo de conhecimento e preparação por parte dos “corajosos loucos”, no sentido de que possam enfrentar os grandes desafios que terão de ultrapassar, nomeadamente em caso insucesso.


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Revista Digital Start&Go

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