Menos muros e mais pontes entre gerações!

A abolição dos regimes de ditatoriais, implicou como era desejado que os direitos humanos, incluindo os laborais, passassem a ser uma realidade, não obstante, os desrespeitos que ainda hoje se observam um pouco por todo mundo.

Daniela Moreira
1 de Fevereiro de 2020

Desde então, a gestão de pessoas e as relações laborais assumiram não só uma importância crescente, como aumentou significativamente a sua complexidade.

A chegada de cada nova geração é vista sempre por muitos como algo alarmante, como se devesse temer sempre o pior, com o “entregar” dos destinos da gestão das organizações, do país e do mundo a estas pessoas.

Baby Boomers – nascidos entre 1940 e 1960

Geração fortemente influenciada pelo pós Segunda Guerra Mundial, reconstrução dos países envolvidos e que cresceram durante a conquista da liberdade, tratando-se assim, de uma geração idealista, combativa, disciplinada e com espírito colectivo, responsável por iniciar as lutas por direitos civis e políticos. É também a primeira geração a conquistar o “direito de ser jovem” (aparecimento de grandes festivais, por exemplo, o Woodstock) — o que inspira todas as gerações seguintes.

É nesta geração que está concentrada a riqueza mundial e o poder de decisão de grandes empresas. O facto não terem nascido nem crescido no mundo acelerado, como o de hoje, habitualmente são mais resistentes às mudanças, e têm preferência pela estabilidade.

Geração X – nascidos entre 1960 e 1980

Esta geração ainda tem muitos traços de influência da geração anterior, como a busca pela estabilidade profissional, a disciplina e o respeito pela hierarquia. Mas é nesta geração que se dá o reforço da ideia de liberdade.

São mais cépticos em relação a autoridades e governos, perdem um pouco do senso colectivo e tornam-se mais individualista e competitivos, muito devido à acção do marketing e da publicidade. Como tal, a capacidade empreendedora é maior do que na anterior.

Geração Y (Millennials) – nascidos entre 1980 e 1995

Foram os últimos a conhecer o mundo sem internet, mas viram-na nascer e a aparecer o conceito em tempo real, em que a informação circular rapidamente numa questão de segundos.

São muito mais flexíveis às mudanças, são ávidos pela inovação e pelos desafios das transformações. Perde-se nesta geração a importância da estabilidade, substituindo-a por paixão, ousadia, experiência…

Como viram o mundo acelerar, eles querem ter o que desejam o mais rápido possível — seja o sucesso na carreira, seja uma mensagem no telemóvel. Com isso, também aumentam os níveis de medo e ansiedade dessa geração, que enfrenta sérios problemas psicológicos.

Têm um modo de pensar complexo, muitas vezes fragmentado, que reflecte o meio que eles mais usam para se relacionar e se expressar: a internet. Isso resulta também numa identidade fragmentada — ora é uma coisa, ora é outra, ora é tudo ao mesmo tempo! — mas nada fora do normal para essa geração tão dinâmica.

Foi com esta geração que a vontade de ser jovem se tornou uma obsessão, sendo uma geração de referência para os mais jovens e uma inspiração para os mais velhos.

Geração Z – Nascidos entre 1995 e 2010

Já nasceram conectados e com um smartphone na mão, pelo que não compreendem a divisão entre online e offline.

Para os nascidos neste período, não há tempo a perder. São extremamente ágeis, multitarefas e capazes de absorver uma grande quantidade de informações.

Se na geração anterior nasce a preocupação com as questões ambientais e a sustentabilidade, esta vai mais além e materializa a preocupação em activismo.

Ainda assim, a insegurança com o futuro é uma marca desta geração. São mais pragmáticos e realistas, do que a geração anterior. Preocupam-se com o dinheiro e entendem que, mesmo que não tenham o emprego dos sonhos, um curso é um caminho para a estabilidade financeira.

Desde que iniciei a minha vida profissional - eu que pertenço à geração que apelidaram de “rasca”, penso que se tratou de um mero lapso, porque me parece que no limite nos poderiam querer apelidar de geração à rasca – tenho sido desafiada a lidar com profissionais de cada geração, desde os baby boomers à mais recente geração alpha. E isso, tem-se revelado uma sorte, que tem engrandecido fortemente a minha experiência e me tem permitido melhorar o meu desempenho, aprendendo com o melhor e o pior de cada uma das gerações.

Não existe geração perfeita, nem existe geração rasca, a geração Alpha que ainda não entrou no mercado de trabalho também não será, mas isso não será um motivo de alarmismo, será antes um desafio a ser enfrentado. Se pensarmos como é que nos vamos adaptar às novas formas de pensar, o que podemos aprender com elas e como os podemos ajudar a não cometer alguns erros, talvez o conflito de gerações dentro das organizações deixe de ser um problema.

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Revista Digital Start&Go

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