Mercados externos representam mais de 50% da faturação da Herdade do Vau

No centro de um triângulo formado por três cidades históricas, Beja, Serpa e Mértola, a Herdade do Vau é uma propriedade produtora de vinho situada na margem direita do Rio Guadiana.

Fernanda Teixeira
31 de Dezembro de 2019

Para além da produção vinícola, o espaço organiza sessões de degustação de vinhos, numa sala única com vista para as vinhas e para o lago, e funciona como alojamento. A casa da antiga quinta foi remodelada respeitando a arquitetura tradicional alentejana dispondo, hoje em dia, de um total de 9 quartos e 3 apartamentos.

Miguel de Sousa Otto, economista de formação, tem tido diversos projetos, mas a Herdade do Vau é, “sem dúvida, o mais desafiante”, tendo nascido da “vontade de aceitar um desafio pessoal e, com a família e amigos, fazer um vinho de grande qualidade no Sul do Alentejo. A vontade de fazer um grande vinho, seguindo princípios de sustentabilidade, integrou-se o desenvolvimento do turismo rural e mais tarde na exploração do olival”. No entanto, empresário promete que não irá “ficar por aqui” e adianta que “há mais projetos na calha”.

Quando questionado pela ‘Start&Go’ sobre em que medida esta unidade se diferencia da concorrência, Miguel de Sousa Otto assegura que esta é antes de mais “conseguida pelo espaço quase ‘mágico’ onde se insere, a margem direita do Guadiana, numa zona quase selvagem. E, depois, pelo tipo de acolhimento verdadeiramente familiar e muito natural que oferece”.

Quanto ao posicionamento assumido, o responsável explica que este está direcionado para o segmento “biochic”. “Queremos que seja percebido como uma forma muito alentejana de receber, natural e de grande simplicidade traduzida na decoração despojada, na familiaridade do contato e na atitude de serviço”. Por esse motivo, os mercados externos têm uma importância muito significativa para a Herdade do Vau, sendo o seu peso de quase 50% no alojamento e de cerca de 60% no vinho. Quanto aos mercados de proveniência França, Espanha, Alemanha e Escandinávia destacam-se no alojamento e a Holanda e a Suíça no vinho.

Perante este contexto, os grandes objetivos estratégicos da Herdade do Vau passam pela consolidação das áreas de negócio atuais, o vinho e o turismo rural, mas também pelo arranque da produção de azeite, pela ampliação do projeto turístico e pela reabilitação da área de floresta, com especial proteção do sobreiro.

Na opinião de Miguel de Sousa Otto o maior desafio que o tecido económico alentejano enfrenta, é sem qualquer dúvida a “urgência de se criar uma atitude mais colaborativa e, desta forma, desenvolver as redes que deem mais densidade e profundidade ao desenvolvimento económico da região. “O Alentejo em geral, em especial o baixo Alentejo, está a viver uma fase cheia de oportunidades que obrigam a uma visão concertada entre os vários agentes: municípios, universidade e associações empresariais”, afirma.

Por isso, o empresário considera de uma “importância central” a dinamização do empreendedorismo enquanto solução para potenciar o crescimento económico e inverter os baixos indicadores de desenvolvimento económico e social que afetam o Alentejo.

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