“Somos a maior cooperativa de olivicultores do país”

Criada em 1954, a Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos conta com mais de 1300 olivicultores associados e assegura uma produção média anual superior a 35 mil toneladas de azeitona, provenientes de 22 mil hetares de olival, e de mais de 7 milhões de quilos de azeites virgens.

Fernanda Teixeira
31 de Dezembro de 2019

Em declarações à ‘Start&Go’, Henrique Herculano, diretor de marketing da cooperativa, salienta que a “genuinidade e alta qualidade” são os principais traços na definição da identidade de uma marca, fala-nos da importância da mesma para a economia alentejana e revela que a marca tem em curso um “projeto de internacionalização com foco nos mercados brasileiro, norte-americano e centro-europeu”.

Start&Go – Quem é e como surgiu a Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos?

Henrique Herculano - A Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos é a maior cooperativa de olivicultores do país, tendo surgido em 1954 por vontade de um pequeno conjunto de sócios, cerca de 50, com o intuito de dar destino às suas produções de azeitona. Atualmente, conta com mais de 1300 olivicultores associados.

Start&Go - Como avalia o atual momento do setor do azeite?

HH - O setor do azeite atravessa um momento delicado, em que as cotações estão muito baixas e em que existe um considerável grau de incerteza em relação ao futuro próximo. Esta situação levou inclusivamente à ativação de medidas específicas por parte da comissão Europeia, nomeadamente o Apoio ao Armazenamento Privado.

Start&Go - Qual o potencial de crescimento do olival em Portugal?

HH - O pico de crescimento da área de olival já foi ultrapassado, existindo ainda margem de crescimento de produção por via da modernização das áreas já existentes. Ao nível do volume de produção, os investimentos dos últimos anos deverão motivar um crescimento gradual e contínuo durante os próximos 5 a 10 anos. 

 

Start&Go - E quais os principais desafios que o setor enfrenta a curto e médio prazo?

HH - Um dos maiores desafios é claramente a adaptação à nova realidade produtiva, visando o crescimento sustentado sem sacrifício da identidade do azeite nacional. Nesta perspetiva, a resposta passará pela conquista de novos mercados, com poder de compra para remunerar a qualidade diferenciada do azeite português.

Start&Go - Qual a relevância do setor para a economia nacional?

HH - Este é, sem dúvida, um dos setores estrela do agroalimentar nacional, que esteve na linha da frente das exportações durante a crise económica e que continua a manter atualmente a mesma dinâmica.

Projeto de internacionalização está em curso

Start&Go - Qual a importância relativa dos mercados externos para a vossa atividade? E até que ponto o azeite nacional é já reconhecido nos mercados externos?

HH - A Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos tem operado sobretudo no mercado nacional, com exportações muito pontuais. Com exceção do mercado brasileiro, o reconhecimento do azeite nacional nos mercados externos é ainda residual. Por isso, temos em curso um projeto de internacionalização com foco nos mercados brasileiro, norte-americano e centro-europeu.

Start&Go - Como definiria o posicionamento da vossa marca?

HH - O nosso produto, por ser de cooperativa, é obtido exclusivamente a partir da matéria-prima dos sócios, o que significa que tem uma garantia de origem automática, que comprovamos através da qualificação como Azeite de Moura DOP. Genuinidade e alta qualidade amplamente reconhecidas poderiam ser considerados como os principais traços na definição da identidade da nossa marca

Start&Go - Qual o volume de negócios registado no último ano e quais as expectativas para 2019?

HH - No último ano, o volume de negócios rondou os 22 milhões de euros, sendo que as perspetivas para 2019 são de um crescimento na ordem dos 3%.

Start&Go –Quais os objetivos estratégicos da empresa a curto/médio prazo?

HH – Os objetivos passam pela consolidação da posição no mercado nacional e abertura gradual e seletiva de novos mercados de exportação, para um crescimento sustentado do volume de vendas de azeite embalado.


Artigo em formato PDF

Revista Digital Start&Go

Últimas


Mesmo autor