Será a Gestão de Recursos Humanos nas PME uma Função para Especialistas?

Muitos empresários, responsáveis por pequenas ou médias empresas, questionam-se sobre a aplicabilidade das Boas Práticas de Gestão de Pessoas das grandes empresas no contexto da sua realidade organizacional.

Maria Fonseca
1 de Outubro de 2019

Realidade essa que significa, muitas vezes, acumularem eles próprios essa função, que desempenham por acumulação de experiência nessa área e por intuição, mais do que por adoção de teorias e modelos adquiridos através de formação específica.

Estes empresários questionam-se (ou não) a si próprios se se justifica fazer formação para melhor conhecer os pressupostos teóricos em que assenta a Gestão de Recursos Humanos ou importar as Boas Práticas de empresas de sucesso ou ainda contratar um profissional.

A crescente procura de formação em Gestão de Recursos Humanos por parte de empresários de PME e o aumento da contratação de profissionais especializados são um sinal claro da adoção de uma estratégia de crescimento assente na valorização do Capital Humano, sendo este cada vez mais encarado como fator determinante para a competitividade.

O grande desafio de atrair e reter talento coloca às empresas uma nova necessidade: a de possuir internamente um corpo de conhecimento sólido e credível no domínio da gestão de pessoas, reforçando o seu papel estratégico e adotando práticas que conduzam a um elevado desempenho e ao desenvolvimento organizacional.

Existe em Portugal uma afirmação cada vez maior do grupo profissional dos Gestores de Recursos Humanos, sendo evidente o seu contributo e o impacto das Políticas de Recursos Humanos no sucesso das empresas para lidar com a complexidade, ambiguidade e exigências do mercado de trabalho.

Possuir e reter os melhores talentos exige ir além da gestão administrativa, tradicionalmente dominante nas PME, e focar no desenvolvimento de Recursos Humanos através de práticas eficazes e adequadas à cultura, dimensão e ciclo de vida da empresa. Tal implica adquirir conhecimentos, metodologias e instrumentos específicos nas seguintes áreas: recrutamento e seleção, avaliação de desempenho, gestão de competências, gestão de carreiras, formação e desenvolvimento, comunicação interna, saúde e bem-estar, equilíbrio trabalho-família, atendimento aos colaboradores, indicadores de gestão, entre outros.

Copiar Boas Práticas e reproduzir discursos da moda sem adotar uma perspetiva crítica ou gerir intuitivamente não é suficiente para aumentar a produtividade e os níveis de satisfação dos colaboradores.

Gerir recursos humanos requer o reconhecimento das especificidades de Gerir Pessoas por parte das empresas e a preparação especializada dos profissionais de Recursos Humanos, cuja formação se desenvolve em torno de dois pilares: a Gestão Estratégica e o Comportamento Organizacional.

Os ensinamentos que se retiram da experiência e os exemplos de boas práticas têm, naturalmente, valor e são complementares à formação não devendo, no entanto, substitui-la. Temos hoje profissionais bem formados nesta área e ofertas formativas de qualidade quer ao nível da licenciatura quer ao nível da formação de especialização e pós graduada.

Se a Gestão de Recursos Humanos nas PME é uma Função para Especialistas? Eu diria que sim! Tenhamos nós, Gestores de Recursos Humanos, a flexibilidade e a humildade necessárias para aprender com o Líder, o Empresário que nos contratou e em nós confiou esta desafiante tarefa.

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Revista Digital Start&Go