Banca, "quo vadis"?

Com o aparecimento da fintech (mistura de FINantial com TECHnology) Revolut, que acaba de receber licença para operar financeiramente como um banco a par da Google Pay, o Revolut quer conceder empréstimos e atuar como qualquer banco tradicional.

Rui Pedro Oliveira
1 de Março de 2019

Lembro-me que no intervalo de um casamento de um amigo no verão passado, um outro amigo falou-me do Revolut. Digo intervalo de um casamento, porque alguns dos convidados fizeram uma pequena e discreta pausa para irem espreitar o Portugal x Uruguai a contar para o Mundial na Rússia, num jogo de péssima memória para nós. No caminho de 300 ou 400 metros que fizemos a pé, eu abri uma conta Revolut gratuitamente e só paguei 4,99€ porque quis receber passados 3 dias em minha casa o meu cartão Revolut, que não dispenso o uso de forma alguma, a par de uma app perfeita no funcionamento e de um IBAN inglês que funciona como qualquer conta normal e que posso realizar transferências em Euros, Libras, Dolares ou qualquer outra moeda e até nas cripto moedas sem qualquer custo adicional. Acresce a isto, a aposta que a Revolut quer fazer em Portugal ao abrir em Matosinhos um call center que aglomerará mais de 70 postos de trabalho.

Semelhantes ao Revolut há o N26, o Monzo, o Payoneer, o Monese e o Getchangecard para dar alguns exemplos. 

O Monzo conta com mais de 1,5 milhões de clientes e abre em média 28.000 contas por semana em todo o mundo.

Estes bancos nascem virtualmente e começam a prestar serviços que toda a banca tradicional proporciona. A banca tradicional começa a tentar inovar de uma forma ou outra para proporcionar os serviços virtuais com que estas fintech’s se iniciaram.

A Itscredit, da IT Sector, uma empresa portuguesa, garante que é possível comprar uma casa através de um crédito sem sair do telemóvel. Basta uma aplicação para pedir crédito, entregar documentos e fechar o negócio.

Nada disto é futurista, é completamente real, acessível a todos e a quase totalidade dos serviços prestados são gratuitos.

Há uma semana tive que pedir um cartão de débito por ter perdido o meu. Ainda não chegou e pago 18€ de anuidade. A MB Way vai ser taxada pelos bancos, onde a banca tradicional que tem vindo sempre a diminuir anualmente nos seus resultados, viu uma oportunidade de ir buscar “mais algum” aos utentes do serviço.

Não falta muito para deixar de trabalhar com um dito banco tradicional. Nada mesmo.

E o quase melhor de tudo isto, é não ter que aturar pessoal (salvo raras exceções como em tudo na vida) atrás de um balcão que por vezes parece estarem a fazer um favor, a banca de hoje devia era pagar para as pessoas confiarem e colocarem ao seu dispor o dinheiro que eles gastam da forma que mais lhes convêm, e com excelentes resultados para os contribuintes portugueses como todos sabemos.

Mas o melhor mesmo, mesmo, e talvez a mais importante de todas é que:

Nestes bancos, não há banqueiros.

Artigo em formato PDF

Revista Digital Start&Go

Mesmo autor