Transparência: A chave para a nova era

Na mesma velocidade em que as pesquisas e tecnologias têxteis avançam rumo à “Era Jetsons”, para que em breve possamos vestir a capa da invisibilidade de Harry Potter, as empresas perdem esse poder de outrora, pois tudo o que fazem hoje, deixa de ser secreto.

Renata Abranchs
1 de Março de 2019

Estão cada dia mais desnudas diante do olhar atento de seus consumidores-auditores. 

Os mais jovens, intitulados representantes da “Geração da verdade”, hiperconectados, questionam; investigam; exigem; atestam e defendem ou desaprovam e atacam. Espalham suas descobertas pelos quatro cantos em questão de minutos. Ou segundos.  

Com o aumento da procura por transparência nas redes sociais e demais canais de comunicação, a responsabilidade corporativa torna-se sine qua non.

E o curioso é que enquanto a sinceridade pode parecer uma iniciativa arriscada para as marcas e organizações, pesquisas indicam que as pessoas estão dispostas a perdoar e se afeiçoar a marcas que admitem suas falhas. Reconhecer erros, se desculpar, corrigir práticas, declarar compromissos e metas, elaborar relatórios de responsabilidade socioambiental são atitudes que ajudam a fortalecer o vínculo com seus colaboradores, parceiros, investidores, seguidores e, acredite, geram grande lealdade.

A diretora global da Young & Rubicam, Sandy Thompson, no report Think With Google, de 2017, defende: “Não conheço qualquer pessoa ou marca que seja perfeita. Se você é honesto, são grandes as chances de que eu goste de você, apesar das suas imperfeições". E ela complementa: “A desonestidade é muito mais arriscada em um cenário em que quase tudo é descoberto.”

A Veja (que adotou o nome Vert, no Brasil), marca de tênis ecológicos, criada na França e 100% fabricada no Brasil, declara no seu site os limites e metas da marca: “Os pigmentos utilizados para tingir o couro, a borracha e o algodão ainda não são produtos naturais. Para obter uma cor estável, sem desbotamento, a VERT utiliza tinturas convencionais, autorizadas pelo Ecolabel (selo ecológico). Utilizar tinturas vegetais e não-poluentes é um dos projetos em andamento da VERT.”

Além da honestidade, outra forma de exercer a transparência é mostrar a vida como ela é: o processo produtivo; oferecer a rastreabilidade do produto; a atuação das pessoas; as instalações e condições de trabalho, enfim, os  bastidores.

A abertura de custos tem sido outra prática recorrente, principalmente entre empreendedores jovens ou marcas que vivem as premissas da Sustentabilidade.

As americanas Patagônia, The Reformation, Everlane; a sueca Nudie; as brasileiras Vert, Alhma, Reserva, Sou Básico, Catarina Mina e Insecta Shoes são só alguns exemplos da transparência exercida em alta potência. 

O movimento global Fashion Revolution faz a pergunta #quemfezminhasroupas e luta por mais transparência na cadeia da Moda.

Em 2016, iniciou o projeto “Índice de Transparência da Moda” e teve a sua terceira edição publicada em abril de 2018, com a análise de 150 marcas globais de Moda – que obtiveram uma pontuação geral média de 21% (52 de 250 pontos possíveis). No Índice brasileiro, a pontuação geral média foi 17%, ou 41 de 250 pontos possíveis).

Baixe o relatório global: https://issuu.com/fashionrevolution/docs/fr_fashiontransparencyindex2018?e=25766662/60458846

Baixe o relatório Brasil:  http://bit.ly/baixeoindicebr

Sabemos que antes de abrir a casa, é preciso arrumá-la, certo?

Calma, você não está só. Esse é o movimento do mundo.

Comece reconhecendo que transparência importa. Procure aliados firmes, especialistas capazes de redesenhar processos, fundamentar práticas e discursos para assim garantir a sua caminhada segura. 

Como diz a querida Marina Colerato, do Modefica (https://www.modefica.com.br):

 “A transparência radical é uma questão de diferenciação hoje e sobrevivência amanhã.”

Artigo em formato PDF

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