Esta mudança de paradigma tem criado um conjunto de
desafios para vendedores e também para compradores.
Com o acesso às informações fornecidas pelas TI’s através
dos canais digitais, os compradores são auto-suficientes e podem com facilidade
prescindir do apoio e/ou intervenção de um vendedor. Por um lado, quando
pretendemos saber ou aprender algo sobre um produto, um serviço, uma técnica,
uma simples pesquisa num motor de busca, pode resultar em milhares de
resultados, onde se incluem, artigos técnicos, blogs, fóruns, vídeos, páginas
de fornecedores, páginas de influenciadores sociais (em que imparcialidade pode
ser posta em causa). Por outro, também podemos comprar através do canal online, prescindindo da ajuda que até
então, era altamente valorizada.
Enquanto compradores, o nosso nível de desenrascanço
(característica tipicamente portuguesa) varia consoante o tipo de compra que
pretendemos realizar, chegando-se mesmo a eliminar o vendedor do processo. De
entre as vantagens, que vamos identificando, surge a facilidade de repetir
encomendas, o acompanhamento do estado da encomenda (desde o aguardar
pagamento, até entrega efectuada) e facilidade de devolução. Contudo, em
compras mais complexas, ainda que raramente deixemos realizar alguma pesquisa,
há uma tendência de se seguirem os processos de compra mais tradicionais,
consultando vendedores de confiança, pelos ganhos de eficiência e de segurança
conseguidos.
O aparecimento deste novo tipo de compradores, fez com
que os métodos de venda mais tradicionais, com abordagens personalizadas,
tenham deixado de ser suficientes. Tendo em consideração que o nível de
conhecimento prévio dos compradores é diferente, a nova geração de vendedores,
combinam a sua abordagem de vendas com este nível de conhecimento dos compradores.
Para poderem ter uma abordagem mais personalizada para
chegar até aos clientes e com a quantidade de informação, os vendedores
passaram a ter novas necessidades que passam pela adopção das TI’s. Desde o
CRM, que é fundamental independentemente da dimensão da empresa, a ferramentas de
gestão de dados, business intelligence
e analytics¸ que lhes permitam tomar
decisões mais inteligentes, não descurando obviamente a componente das
infra-estruturas e equipamentos associada a esta necessidade. Adicionalmente,
os vendedores que só se relacionavam com o cliente pela venda presencial ou
pessoal (telefónica, por exemplo), passam a recorrer a uma panóplia de canais
de comunicação digital, incluindo redes sociais, email-marketing, etc, que
completam ou substituem esforços de vendas presencial.
Mas as consequências sobre as equipas de vendas não
são todas nefastas, dado que, a exploração cada vez mais optimizada das TI’s,
permite, por exemplo:
- Chegar a mais clientes potenciais;
- Aperfeiçoar o perfil do cliente e redistribuir
equipas de venda de forma mais eficaz (por exemplo, passar de uma lógica
geográfica, para uma orientação à necessidade);
- Acesso à informação em tempo real.
A nova geração de vendedores para ter sucesso, precisa
de novas competências que lhes permitam interagir de modo cirúrgico com cada
cliente, utilizando de modo exímio as ferramentas a que têm acesso (e-mail, redes sociais, webinars, podcasts, websites, app, etc.),
bem como devem integrar-se mais em todas as actividades em que haja alguma
relação com o cliente, por mínima que seja, para se garantir que os clientes
recebem mensagens consistentes e assentes numa estratégia bem orquestrada.
O desenvolvimento de novas competências vai ser o kikckoff para um processo de mudança
transformador na forma como se gerem, interagem, motivam, remuneram e treinam
as estruturas comerciais das empresas
A adaptação das equipas de vendas às mudanças
decorridas nas últimas décadas, é apenas um exemplo da capacidade que temos de
nos adaptarmos às novas circunstâncias.
Mas será que estamos preparados, enquanto sociedade,
para continuarmos sem limites neste caminho da automação e do “Do it yourself”?
Deixo esta reflexão para outra oportunidade!